quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Existe vida após o assédio moral...

Dedico este testemunho com sincera gratidão à Adriana, Regina, Rose Mary, Zaíra, meu Pai e meu amado Celso, Pessoas cheias de luz que guiam com amor todos os que passam pelos seus caminhos


Me chamo Sandra Küster, sou bibliotecária, tenho 45 anos e hoje finalmente contarei minha história, não para fazer alarde ou me colocar em posição de vítima (coisa que não sou), mas porque acredito que o meu testemunho pode ajudar outras pessoas a saírem deste fenômeno nefasto chamado Assédio Moral. Não tenho nada de especial, não tenho cargo, nem sobrenome importante, aos olhos de muitos não sou nada, mas aos olhos de Deus, sei que sou sua filha amada.

Além de mim, todas as pessoas que participaram das inúmeras situações negativas que me envolveram desde antes mesmo de eu chegar aqui, sabem o que fizeram, tenho certeza que cometeram suas ações conscientes e sabiam o que estavam fazendo... 

Deixo para eles e também para os de bom coração que muito ouviram, testemunharam e covardemente silenciaram, a certeza de que eu perdoei a todos e não desejo mal a ninguém, mas eles sabem como eu, que existe um Deus e Ele tudo sabe, tudo vê e a ele pertence a verdadeira justiça. Eu Confio Nele.

Com certeza muitos dirão que eu minto, que invento, que aumento, com relação a isso a única coisa que posso afirmar é: que somente eu sei o que passei, o que vivi, o que ouvi e que quem desejar ter olhos de ver e ouvidos de ouvir, que o façam! Quem convive comigo e me conhece sabe que digo a mais pura verdade e ela me liberta... Minha consciência está tranquila e em paz e isso, é o que realmente importa: não fui eu que prejudiquei ninguém, graças a Deus.

Me formei numa das melhores faculdades de Biblioteconomia de São Paulo. Desde o primeiro momento amei minha profissão. A Biblioteconomia foi para mim como uma religião, encontrei nela minha vocação e tudo que eu ansiava profissionalmente.

Tive durante muitos anos outra profissão muito boa e rentável, mas minha alma clamava por mais, eu queria ser luz na vida das pessoas, queria fazer algo notável com meu trabalho e me sentia feliz por minha escolha.

Existe alguma dúvida no fato de que os livros podem mudar a vida das pessoas? Existem milhares de histórias que comprovam isso, não havia por quê duvidar. Mas como ouvi outro dia: "a euforia de uma nova fase da vida, pode não durar até a primeira segunda-feira repleta de problemas" e assim descobri que mudar o mundo, não seria tão fácil como eu imaginava... 

Eu tinha 32 anos quando me formei, me divorciei, me demiti e me mudei de São Paulo. Foram tempos difíceis e tristes em que meu aprendizado sobre a "vida real" começou a tomar corpo. Estava casada há mais de sete anos e meu companheiro decidiu seguir por outras direções então, ficamos eu e minha pequenina na época com três anos.

Na esperança e  com fé de que dias melhores viriam tive coragem e não desisti de acreditar, optei por perseverar e lutar por nossa felicidade.

Sonhava em trabalhar em uma biblioteca pública, um tipo de biblioteca que se tornou para mim a menina dos meus olhos e assim iniciei minha caminhada rumo à minha nova vida, nesta época, apesar da satisfação da recente graduação eu me sentia muito pequena, tão desfavorecida e mal-amada. 

Quando terminamos um relacionamento de tantos anos, não tem como ser diferente, as emoções ficam à flor da pele e nos tornamos sensíveis, frágeis e não bastasse isso havia a preocupação de que nada acontecesse com a filha pequena. Eu só desejava que ela crescesse sadia e feliz, busquei coragem onde já não havia nada para tirar e fui combater o meu combate.

Cheguei ao Espírito Santo com a minha filha e uma mala, essas eram as duas armas com as quais eu acreditava que iria vencer todas minhas batalhas. 

De repente algo inusitado aconteceu e de uma forma totalmente surpreendente encontrei um novo amor, me apaixonei à primeira vista, assim no período de um ano eu me divorciei, fiz um concurso e passei, me organizei para casar novamente e para minha total surpresa, dias antes do casamento fui chamada para ocupar aqui minha tão sonhada colocação como bibliotecária.

Era muita alegria para uma pessoa só, um novo estado, um novo lar, uma nova vida, novo emprego, Deus me carregava nos braços, porém na verdade, Ele por meio de todas estas mudanças em minha vida me preparava para grandes lições que eu precisava aprender e uma longa caminhada rumo aos sonhos que Ele tinha para mim se iniciou.

Quando se está plena de felicidade e realizações ficamos cegos e perdemos a noção da realidade, fui uma presa fácil caminhando inocente para o abate.

Existe uma linha muito tênue entre assédio e comportamentos ditos "normais" num ambiente de trabalho, muitas vezes por desconhecimento (há mais de 10 anos atrás pouco se falava sobre assédio moral) muitas coisas aconteciam com as pessoas sem que as mesmas sequer se dessem conta de que na verdade o que elas estavam sofrendo era assédio moral.

E não bastasse isso, a própria pessoa que passa por esta situação muitas vezes se coloca em posição de culpado, se sente incapaz e assim, o fenômeno só fortalece os sentimentos de baixa estima, sensação de incompetência e consequentemente no pacote está incluso a desvalorização pessoal.

De fato e propriamente dita a única coisa que eu acho que fiz de concreto para chegar onde cheguei é passar no concurso público, esse foi meu maior "crime". Em cidades pequenas existe um sentimento, alguns chamam de "cultura", algo muito arraigado que dá a sensação de posse para as pessoas nativas, a territorialidade impera e aqui infelizmente isso é muito forte. Você se sente estrangeiro em seu próprio país.

Eu era a pessoa que chegou e roubou o lugar de uma "filha da terra". Eu em momento algum sequer pensei na possibilidade de estar atrapalhando a vida e a felicidade de alguém, queria somar, agregar valor.... Eu só pensava em ser uma excelente profissional e trabalhar, dar o meu melhor, "fazer algo notável na vida das pessoas". Que mal que uma pessoa que pensa assim pode causar para alguém?

Porém no terreno fértil do "assédio moral" isso não é um dom ou uma dádiva, ao contrário, é uma total desgraça, tanto para a vítima quanto para os assediadores. Para quem comete o assédio moral não existe nada pior do que um profissional eficiente, alguém que deseja mudanças, alguém criativo e que tenha vontade de fazer algo diferente... Alguém com estas características automaticamente se torna um grande inimigo, as pessoas não querem te conhecer, saber como você é de verdade. Querem que você desista, vá embora.

Quem vive pautado pela "lei do mínimo esforço" dificilmente consegue se harmonizar e ficar tranquilo na presença de alguém que cultua a eficiência e a proatividade. Um bom profissional, que tenha qualidades e deseja trabalhar é quase um criminoso, um inimigo que deve ser abatido...

As situações que vivenciei, presenciei e das quais fui vítima foram tão surreais que até mesmo eu, quando olho para trás e relembro custo acreditar no que passei, foram dias e dias de uma tortura psicológica capazes de destruir até o mais corajoso guerreiro. 

Muitas vezes quando comentava com amigos e familiares coisas que aconteciam comigo e me tiravam a paz, buscando explicações, consolo e apoio quase sempre ouvia de todos: volta para sua casa, sua família, sai deste lugar, o que você ainda está fazendo ai? Eu mesma depois de um certo tempo e quando me dei conta do que acontecia comigo de verdade (o que levou cerca de 4 anos para acontecer) não conseguia entender como eu aguentava tanta maldade.

Mas nem sempre a vida permite que tomemos decisões por nossa própria vontade e os próprios sentimentos agora confusos e as inseguranças que desenvolvemos nos impedem de agir. 

O assédio moral é maquiavélico e silenciosamente paralisa sua vítima e foi assim que eu permaneci por muitos anos. Com o tempo você começa a congelar sentimentos, a vida passa a ter um peso enorme que sua alma quase não suporta e tudo que você pensa é só em sobreviver mais um dia...

Não existe mais esta coisa de ter esperanças, dias melhores, projetos, vida em harmonia, nada. A única coisa que desejamos é ter paz e conseguir sobreviver mais um dia. Assim tudo passa a ser automatizado, não há mais emoções, envolvimento, acolhimento, as luzes são apagadas e a vida é ligada no automático.

A pessoa que sofre assédio moral é uma pessoa estraçalhada. Seu coração é amputado do seu peito e se ainda tem a sorte como eu tive (graças a Deus) de ter uma família para te amparar muito que bem, ainda existirá ali uma centelha que permitirá vislumbrar um raio de esperança, mas a verdade é que muitas pessoas, quando são vítimas deste fenômeno nefasto, conseguem deteriorar tanto o seu próprio existir que até mesmo seus relacionamentos mais caros e importantes podem ser desfeitos devido às dificuldades que são vivenciadas no seu dia-a-dia profissional.

Eu vivi muito tempo às custas de terapia, acompanhada por psicólogo, quase dois anos à base de remédios, engordei, tive insônia, palpitações, queda acentuada de cabelos e além disso, desenvolvi um problema de pele que tentei tratar durante muito tempo em vão e depois descobri se tratar de uma Psoríase. 

Para quem é vítima de assédio moral a família tem um papel fundamental, ela passa a ser o único e melhor refúgio para os problemas e dificuldades que o ambiente de trabalho oferece... Quem tem uma família, tem carinho, afeto e arranca de onde já não sai mais nada coragem para perseverar.

Hoje sei que se consegui manter, mesmo que minimamente, minha sanidade mental e física foi porque tive amor e compreensão quando entrava pela porta de casa, mas sei que nem todos têm a mesma sorte que eu e muitas pessoas se tornam tão complicadas e sofridas que nem a própria família suporta. Eu tive muita sorte, mas meus filhos nem tanto... 

Hoje quando analiso meu passado e vejo como eu era, como agi com eles, o que me tornei devido ao assédio moral vivido anos e diariamente e o que eles foram obrigados, mesmo sem ter condições e idade para entender, aceitar me culpo muito, pois se eu tivesse sido uma pessoa realizada profissionalmente (o que eu tinha tudo para ser) e equilibrada teria sido uma mãe muito melhor e em muitos momentos estive impossibilitada de dar o meu melhor como mãe devido ao grande período de depressão e apatia emocional em que eu me afundei. Espero que algum dia eu possa compensá-los por isso e eles possam me perdoar...

Há cerca de três anos eu me cansei de andar para os lados e decidi tentar ser feliz. Enfiei dentro de um quarto no fundo da alma toda minha dor e o que restou de uma mistura imensa de sentimentos negativos repletos de tristeza e medo. Finalmente tomei coragem para correr atrás da minha felicidade, pois não havia outra opção.

Uma parte enorme de mim já estava morta e sepultada, não havia mais o que fazer, então escolhi decretar minha felicidade e passei a viver em paz com o que eu ainda possuía: minha essência, minha família.

A terapia de grupo feita por uma excelente profissional (pela qual tenho profunda gratidão) me ajudou muito, pois a convivência com pessoas diferentes de mim, com problemas ora mais complicados, ora menos, me mostrou que eu poderia ser feliz, reconstruir meus caminhos e depois de um tempo de certa calma consegui me reinventar em alguns aspectos, mas eu sentia um vazio na alma, faltava um algo a mais...

As situações negativas não deixaram de acontecer, ainda hoje vivo em um contexto de sentimentos desagradáveis e estresse desnecessários, mas a diferença é que eu consegui anular isso, como disse, fechei tudo num quarto escuro e não abro a porta, isolei a tristeza e ela habita em mim, mas não me aconselha mais...

Me conscientizei de que eu era pequena diante de tantas coisas erradas, as quais eu não tinha "poder" para mudar, não poderia fazer nada sozinha. Descobri que não tinha condições, pelo menos não até aquele momento de "mudar o mundo", porém mais importante que isso, descobri que na verdade o que eu precisava primeiro era:"me mudar", mudar minha realidade, minha visão da vida, mudar minha postura para finalmente alcançar tudo de bom que estava perto, ao meu redor...

Não adianta querer mudar o mundo enquanto nós permanecemos os mesmos de sempre... Entendi que antes de qualquer coisa eu precisava ser diferente, para conseguir fazer algo diferente.

Durante muitos anos eu gritei, tive raiva, ódio, perdi noites derramando lágrimas silenciosas e mesmo acompanhada me sentia muito sozinha, eu não conseguia entender nada, mas um dia tudo mudou...

Como sou filha amada do Senhor, hoje sei que Ele nunca nos abandona, então ele me alcançou com seu infinito amor e eu consegui me libertar da prisão que eu permiti que construíssem para eu viver e me isolar.

Foi um gesto perseverante de uma Amiga verdadeira que me tirou do meu deserto e me levou para a Igreja Batista e a partir deste dia, nunca mais me senti só.

Esse é outro fator de fundamental importância para quem vive em situação de assédio moral. Só é possível sobreviver a isso e superar as dificuldades quando se encontra além do apoio psicológico e emocional também o espiritual, diria que este, antes dos outros é o primordial...

Uma pessoa que está forjada e amparada na fé tem tudo. O problema é que nos descuidamos, esquecemos de Quem somos filhos e falhos nos deixamos levar pelas tempestades e uma vez perdidos dentro delas, dificilmente conseguimos sair sozinhos deste tormento chamado assédio moral.

Deus nos acalma, nos reconstrói e nos permite enxergar a vida com novos olhos e não há nada tão imenso e verdadeiro em nossas vidas quanto o amor de Deus por nós e isso precisa estar muito consciente em nosso caminhar, pois com Deus podemos tudo, sem ele, somos nada.

Achando que era auto-suficiente e que podia controlar tudo, me afastei Dele e permiti que o Ego, pessoas erradas, ruins e mal intencionadas tomassem conta da minha vida e a partir do momento que permiti que isso acontecesse eu perdi o controle das minhas emoções e do meu viver, desta forma, foi muito fácil o fenômeno do assédio se instalar e fazer morada em minha vida. 

Eu fiquei cega e perdida no turbilhão de emoções que dominaram minha existência, perdi o prumo e por pouco não perdi o que era mais importante para mim: minha família. Porém antes que isso acontecesse Deus me alcançou com seu amor, me acolheu e me mostrou quem eu era de verdade, restaurou minha identidade e meu propósito neste mundo.

Seu amor me deu coragem e eu pude finalmente reencontrar meu caminho e o que é melhor: ser novamente luz na vida das pessoas como eu sempre sonhei...

Eu sei que todos nós temos sonhos e desejamos muitas coisas na vida, isso são sentimentos naturais dos seres humanos, mas precisamos antes aprender e entender que acima dos nossos desejos há algo muito maior  e que nossos sonhos podem ser bons e lindos, mas os de Deus são maiores e melhores ainda por que ele só quer o melhor para nós e como qualquer Pai, deseja nossa felicidade, o que precisamos é aceitar que muitos momentos de tristeza nada mais são do que degraus que são usados para nos aprimorar e nos aproximar Dele.

Tem uma frase do Rubem Alves que eu gosto muito onde ele afirma que "Ostra feliz não faz Pérola".

Hoje eu posso olhar para trás e finalmente deixar o meu deserto, todos nós em muitos momentos passamos por ele, eles também são importantes, o que precisamos entender é que não devemos nunca desistir e perseverar na fé, pois apesar do mundo não querer nossa felicidade, Deus quer.

Obrigada Senhor, por esta página finalmente virada no livro da minha vida.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A cigana e a mocinha guardiã do tesouro

"A cigana leu o meu destino, eu sonhei. 
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante eu 
sempre perguntei: o que será o amanhã? "
(Simone)


Aos quinze anos de idade, fui caminhar pela primeira vez na Avenida Paulista somente em companhia de uma amiga. Descemos no metrô Paraíso e seguimos a pé.

Logo na Praça Oswaldo Cruz, percebemos uma feira esotérica que naquela época (não sei hoje) era fixa no local e as pessoas que por ali passavam se divertiam muito descobrindo o seu “futuro”.

Minha amiga que era muito “esotérica” mais que depressa correu para uma cigana que lia as mãos, eu só ria. Não acreditava ”nestas coisas” e achava um desperdício ela gastar seu dinheiro com tamanha bobeira. Quando a cigana já havia descoberto todo o “futuro” da minha amiga, ela levantou para continuarmos nosso passeio, só que a cigana para minha surpresa, se dirigiu para mim e pediu para ver meu futuro...

Eu relutei, mas para não ser indelicada estiquei a mão e disse que era só para ela dar uma “olhadinha” que eu não ia me sentar. Ela olhou minha mão rapidamente, cinco segundos e me disse assim: “mocinha quando você for adulta, irá cuidar de um tesouro, com muitas pedras preciosas...” eu agradeci a estranha mensagem e parti.

Eu acabara de me matricular na escola de artes, meu sonho era ser arquiteta ou artista plástica, pode imaginar minha cara quando ela falou das tais pedras preciosas... Dei risada né! Nem de joias eu gosto, pensei... Que tesouro que nada!

Bom... A vida dá muitas voltas e na leveza da adolescência não desenvolvemos muita noção de futuro, só vivemos.

25 anos depois aqui estou eu, uma mulher de 40 anos e sou bibliotecária. Acho que no fim das contas, a minha querida cigana tinha razão, peço perdão para ela hoje, pela minha total falta de credulidade em suas palavras, mas ela não podia ter sido mais certeira do que foi comigo naquele dia, pois uma Biblioteca realmente é um grande tesouro e os livros preciosidades, para aqueles que conseguem entender e valorizar toda a riqueza que eles guardam.

Eu estudei artes, fui designer gráfica, diagramadora, quando menos esperava me encontrei dentro da Faculdade de Biblioteconomia e alguns meses depois percebi que tinha encontrado minha verdadeira vocação.

Amo ser Bibliotecária e amo mais ainda ter uma profissão que me permite fazer diferença na vida das pessoas.

Ao contrário da maioria da minha sala, eu desde os primeiros meses já desejava, se um dia conseguisse exercer a profissão, trabalhar em uma biblioteca pública, o que causava estranheza e contrariedade em todos meus colegas de classe que afirmavam que eu era “doida”, que era a pior biblioteca para se trabalhar. Mas...

É a biblioteca mais democrática, mais perto e mais acessível para aqueles que precisam de informação, conhecimento e cultura. Eu queria ser bibliotecária das pessoas com mais limitações, nos lugares onde era mais difícil a disseminação do hábito da leitura, eu queria trabalhar onde ninguém costuma querer, queria estar perto dos jovens e principalmente das crianças.

Hoje sou muito feliz com minha escolha e bem gosto do tesouro que Deus me deu para cuidar para ele. É o meu talento que não pretendo enterrar, mas sim dividir e multiplicar.

 Assim seja!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

PARA UM MENINO, COM TODO MEU AMOR....

Tenho visto muitos posts no face comentando o ocorrido com o garoto que perdeu seu braço. Não sei se tenho este direito, mas senti vontade de escrever, venho pensado muito no que aconteceu, tenho filhos e não consigo nem imaginar o tamanho da dor que eles devem estar sentido...


As pessoas, falam, comentam, julgam, condenam sem saber direito o que estão falando, as informações vão surgindo como em uma cascata, mas sabemos que numa situação como esta, todos veem tudo enquanto é coisa, se aumenta, se inventa, acrescenta e se não estávamos lá para ver todos acontecimentos com nossos próprios olhos, como podemos tirar conclusões e fazer afirmações?

Eu já soube de tantas coisas difíceis que aconteceram com crianças, acidentes domésticos, acidentes escolares nos quais crianças foram machucadas, adultos passaram aperto, os pais susto, medo, coisas horríveis que aconteceram em piscar de olhos...

Há uns tempos houve a história de uma garotinha picada por uma cobra que ficou em coma e quase morreu, os pais a abandonaram para ser picada? Uma vez uma pessoa muito querida minha, deixou cair de cima da mesa um bebê pequeno com o moisés e tudo, caiu de cara no chão...

Ela quase morreu de susto, a criança bateu com força seu corpinho, chorou muito, poderia ter sido grave, mas graças a Deus os anjos protegeram e não aconteceu nada de maior gravidade... Essa pessoa foi negligente? E as crianças esquecidas dentro de carros? De quantas já ouvimos falar? Seus pais as esqueceram... Por que as amavam pouco? Não eram responsáveis? É fácil tirar conclusões, mas não deve ser nada fácil SER ELES.

Tenho um amigo que adorava, lembro-me dele dirigindo aos 13 anos, eu mesma andei de carona com ele ao volante, menor de idade e sem carteira de motorista... Seus pais permitiam e eu os conheci, convivi com eles... Eram pessoas maravilhosas, o amavam com loucura. Ele era um jovem impetuoso, bonito e cheio de vida, mas não tinha medo! Três meses após tirar sua habilitação morreu em um acidente. Numa história assim poderíamos facilmente dizer que os pais foram negligentes e que a culpa maior foi deles, não educaram! Mas será mesmo que foi? Eu não consigo pensar assim...

Não quero com meus escritos defender negligências, tão pouco minimizar a responsabilidade de quem estava a volta e também viu o que acontecia e não agiu como a situação pedia... Tem momentos em que parece que somos dopados, anestesiados... São os famosos "5 segundos de bobeira"...

Eu falo por mim, que me empenho 24 horas por dia para educar meus filhos e nem sempre consigo obter os resultados necessários, que sonho ou desejo! Isso não ocorre porque não me esforço, não faço minha parte ou não tenho responsabilidade e cuidado com eles, mas sim porque somos todos HUMANOS, cheios de DEFEITOS e as crianças de hoje não são mais como as de antigamente que só um olhar nos transformava em estátuas de sal... Hoje há dias em que você explica, fala, pede e mesmo assim o filho teima, teima e teima!

São tempos muito difíceis estes que vivemos e nós que temos um pé em um século passado e a vida em outro, muitas vezes nos encontramos perdidos em redemoinhos como este que aconteceu na vida deste pai.

O que quero dizer é que infelizmente este tipo de situação pode acontecer COM QUALQUER UM e nem sempre é porque as pessoas são irresponsáveis ou não cuidaram o suficiente do ente querido, ou foram inconsequentes, mas sim porque são situações que fazem parte do nosso destino, da nossa vida, não é questão de livre arbítrio, falta de comprometimento e responsabilidade, mas sim daquilo que temos traçado em nossa caminhada.

Às vezes são nas situações de extrema desgraça e infelicidade que o ser humano se transforma e muitas vezes a vida tem mostrado que a transformações mesmo que assustadoras, também vem para o bem, para o aprendizado para a evolução... O ser humano tende a se acomodar na zona de conforto e se acomodando não cresce, não aprende, não evolui, estagna.

Achei muito bonito da parte de uma mãe em uma reportagem que assisti em que contavam o acidente em que ela teve as duas pernas amputadas e ela lutava para superar as dificuldades e se recuperar, ao ser perguntada se não estava triste por ter perdido as pernas e não poder mais andar normalmente, ela respondeu: que perna, que nada! Eu estou feliz por estar viva e poder continuar junto dos meus filhos, da minha família!

Eu tive um amigo que teve paralisia infantil. Ele tinha inúmeros irmãos, moravam no Amazonas acho... Me contou que devido a quantidade de filhos eles acreditam que a mãe se atrapalhou e um dos irmãos tomou uma dose de vacina a mais e ele uma a menos... Acabou tendo pólio e teve a vida completamente mudada. Sua doença fez os pais se mobilizarem, saírem do meio do mato onde moravam e vieram para São Paulo em busca de melhores condições para ele viver. Com isso toda família mudou seu destino. Acho que talvez ele não pensasse desta forma, mas quando ele me contou sua história eu pensei: talvez... Talvez... Se nada tivesse acontecido com ele, a família toda teria ficado a vida inteira no fim do mundo e sabe-se lá o que poderia ter acontecido, pois muito progresso na vida deles, foi decorrente da doença do meu amigo que obrigou a família a migrar para uma cidade com condições melhores.

Ninguém que tem amor no coração, que é pai, mãe, quer o sofrimento de um filho! Ninguém quer! Queremos só amar, desejamos só o bem para nossos filhos. Muitas vezes na ânsia fazê-los felizes damos asas demais, outras vezes, por medo do que pode acontecer, impedimos seu voo, ceifando suas asas...

Atire a PRIMEIRA PEDRA, os que têm ou não filhos e têm certeza que nunca erraram e que nunca vão errar... Vão fazer sempre tudo certo e seus filhos serão perfeitos e educados.

A mim me dou somente o direito de orar e vibrar esperança e fé pelo amigo, pelo seu filho e sua mãe, espero que consigam superar a dor, espero que consigam transformar esta provação em suas vidas em algo extraordinário, em algo que veio não só para trazer tristezas e dor, mas sim em algo que aconteceu para abrir novos caminhos, novas possibilidades e novos horizontes e que não percam nunca o amor, a fé e a coragem que precisamos para prosseguir.

quarta-feira, 12 de março de 2014

12 de março: dia do Bibliotecário e da Biblioteca nossa de cada dia


            Sou Bibliotecária há dez anos destes, oito atuo em Biblioteca Pública. Desde a faculdade era o que desejava, porque tinha consciência da importância que este tipo de biblioteca tem para a comunidade onde está inserida. Sempre leio sobre a necessidade de modernização e ampliação do número de Bibliotecas Públicas no Brasil e estas questões me fazem pensar... 

Antes de chegar aqui, não tinha experiência alguma e o pouco que recebi foram informações muito negativas vindas de colegas que já atuavam nestas unidades e também dos próprios professores. Na época que estudei, a faculdade não dava muito ênfase aos conteúdos voltados para profissionais atuarem em Bibliotecas Públicas.

Mesmo assim meu ideal profissional prevaleceu e quis dar minha contribuição. Hoje após todos estes anos percebo que na realidade o problema não é a Biblioteca Pública em si, mas sim as pessoas ou setores que as conduzem dentro do sistema administrativo em que ela está inserida, o que quero dizer com isso? Que trabalhar em Biblioteca Pública pode ser sim muito bom! Na verdade precisamos de dois fatores somente para ter sucesso, muito simples, mas muito difíceis de alcançar: apoio e respeito.

Vejo que o poder público principalmente nas pequenas cidades (que são a maioria) não valoriza a Biblioteca Pública e faz muito pouco ou nada, para criar condições propicias que incentive o hábito da leitura na população. Não fosse o trabalho realizado pelas escolas e professoras aqui, por exemplo, se dependesse só da Biblioteca Pública haveria um cemitério de leitores.

Pelas experiências que vivi nos últimos anos e que acredito, sejam bem parecidas na maioria dos municípios brasileiros, penso que a única forma de tornar a Biblioteca Pública um setor realmente produtivo e relevante é dar autonomia legal para que ela desempenhe seu papel junto à sociedade. Tirar das mãos dos políticos e das prefeituras e dar para associações, grupos de pessoas interessadas juntamente com profissionais formados em biblioteconomia a autonomia para trabalhar, planejar e agir de acordo com demanda existente.

Criar leis que obriguem a destinação de verbas anuais de acordo com o tamanho da população e fazer com que os profissionais que atuam nestas bibliotecas simplesmente prestem contas exatas dos recursos utilizados e resultados alcançados. E assim, oferecer serviços informacionais de qualidade e realizar as atividades necessárias, sem estar constantemente “mãos estendidas” implorando.

No geral a rotina das Bibliotecas Públicas inclui: não ter verba oficial, não receber apoio para executar melhorias estruturais e físicas, não ter incentivo para projetos, não comprar livros, o que sempre existe são alguns poucos funcionários para atender os frequentadores e organizar o ambiente. Livros novos são poucos e quando são comprados, é com dinheiro de multas.

Sou Bibliotecária formada, concursada e atuo em uma Biblioteca Pública onde não tenho autonomia para fazer nada, não tenho direito a opinar, não sou ouvida, não sou consultada e fazem o que querem da Biblioteca Municipal, tenho de ver e ouvir passivamente tudo que decidem fazer sem poder intervir ou, evitar que falhas graves sejam cometidas.

Enquanto as Bibliotecas Públicas viverem sob o poder das administrações de visão restrita e limitada a interesses políticos, não haverá possibilidade de mudança da realidade em que elas estão inseridas e como sempre, o maior prejuízo fica para a sociedade. Não sei se a criação de leis que obriguem as prefeituras apoiarem, talvez tornar todas as Bibliotecas Públicas legalmente constituídas em órgãos federais, não sei se propiciar autonomia e ação de trabalho para os Bibliotecários pode mudar isso, mas o fato é que enquanto as Bibliotecas estiverem a mercê de política e administrações públicas, elas dificilmente sairão desta escuridão em que se encontram.

Só um exemplo: está para ser desativado onde trabalho um software de primeira linha, que conse­gui­mos com muito empenho adquirir e é de propriedade da Biblioteca. A informatização do acervo este ano entrou em fase final, pois há quatro anos trabalhamos com este sistema que é excelente e atende com eficiência as necessidades da biblioteca, dos leitores, mas enfim vai ser substituído.

Será desativado, por motivações externas que envolvem, além de outros fatores, o gasto de R$ 190,00 por mês que a prefeitura acredita ser desnecessário, haja vista que a atual empresa que ganhou a licitação possui um “módulo” para bibliotecas que pode ser utilizado ou seja, não há preocupação com o tra­balho executado até este ano, com o fato do novo software ser inferior, com os gastos feitos até o momento para o atual sistema funcionar (suporte e todo material utilizado nestes quatro anos), não há preocupação se haverá qualidade realmente nos serviços prestados. Com afirmações pouco consistentes, tentam nos convencer de uma mudança que não tem como ser positiva nem para a Biblioteca, tão pouco para os leitores.

Conclusão, de volta ao início: se o poder público deseja qualificar as Bibliotecas Públicas, criar novas, aumentar seus resultados e criar políticas de leitura, em primeiro lugar precisa fazer com que as Bibliotecas Públicas tenham seu valor, seus direitos reconhecidos e respeitados porque modernizar e multiplicar bi­bliotecas, formar profissionais para atuarem de forma eficiente e correta, mas que em seus ambien­tes de trabalho são obrigados a fazer e aceitar tudo que é errado, não nos ajuda em nada, só perpetra a situa­ção atual em que trabalhamos: à base de milagres e orações.

Sem apoio real, concreto e relevante, nada mudará. Espero com minhas palavras estar contribuindo de alguma forma e que o pequeno ponto de luz que eu teimo em manter acesso, apesar de todas as adversidades, possa se unir a vários outros e, fortes, ilu­minarmos a vida daqueles que precisam da luz do conhecimento. 


Sandra Küster, Bibliotecária por vocação há 10 anos



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Para meus amigos e amigas, com todo meu amor!

Estava assistindo a um vídeo sobre os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer. O quarto é "gostaria de ter mantido contato com meus amigos". Isso tocou fundo em meu coração...

Pois é, a reviravolta drástica que fiz há alguns anos quando mudei de vida, mudei de cidade emprego, entre outras coisas, me fez enxergar tantos detalhes que antes passavam desapercebidos ...

Eu vivi tantos anos em São Paulo e antes mesmo de me mudar, deixei tantas pessoas perdidas para trás, quando eu ainda estava lá, tão perto. Então me pergunto: por quê será que estas coisas acontecem? Meio estranho pensar nisso...

Minha cabeça vive povoada de recordações e as pessoas vão voando pela minha mente num tumulto enorme de sentimentos, tristezas, alegrias, elas vem e vão, trazendo cada uma sua história, minha história, nossa história.

São tantos amigos, é tanta vida que eu me pergunto: Como cabem tantas vidas em mim? Com tantas pessoas caminhei, aprendi, vivi, sorri, briguei, quanto caminhei.

Na infância as crianças da minha rua, aquelas com as quais cresci, me misturei, nos misturamos em nossas famílias, cada um na sua casa, todos juntos na mesma história, na mesma brincadeira, no mesmo futuro infinito. Éramos todos tão pequenos, tão pouco sabíamos do que ia nos acontecer, da distância que um dia teríamos uns dos outros, o quanto seríamos estranhos, é uma pena... Uma pena viver sem saber que um dia estaríamos tão longe e haveria tanta saudade.

Na juventude, aquela loucura do viver! De viver tudo, a todo instante, a cada minuto, o tempo todo, sem pensar, sem preocupar, só viver. São tantos risos e tantas lágrimas, crescer dói. Aprendemos juntos, que a morte e vida andavam muito perto. Sofremos, crescemos, vivemos.

Tive amigos e amigas tão especiais, tive tanta sorte nesta vida... 

Às vezes, já disse isso antes... Só algumas vezes, me esqueço de quem sou, fico brava, brigo com Ele, faço cara feia, choro de raiva. Quero mais, acho tudo pouco. Quanta ingratidão.

Estudei numa escola privilegiada, repleta de pessoas criativas, cheias de vida e energia, que não se conformavam com a vida comum, estudavam e davam cores ao mundo. Artistas.

Fiz tantos amigos nos lugares que trabalhei, conheci tantas coisas por eles, pelas mãos e pelos carinhos deles, vivi tanto, sonhei tanto, sorri tanto. Tanto do que sou hoje, devo a tantas pessoas que passaram pela minha vida, tão sutilmente, tão delicadamente que eu nem percebi... E se foram, mas deixaram um pouco deles em mim.

Sendo assim, como posso reclamar eu da vida? Me sinto tão rica em momentos como este, que consigo me despir de mim mesma e passo em palavras o que tenho em meu coração.

Quantas pessoas que vivem neste mundo, nascem já sozinhas, vivem suas dores sozinhas e muitas vão morrer  também sozinhas.
  
Eu não... Eu tive muitos amigos!

Com eles cresci, com eles vivi, com eles parti em busca dos sonhos. Quisera eu ser recordada por algum deles, em algum momento bom, me sentiria mais repleta ainda. Então deixo aqui esta  frase, muito linda, que descreve bem meu sentimento hoje, para todos vocês: 

“a felicidade aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam em sua vida.”

 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Bibliotecária e a estrada de terra


“Quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado”


  Este ano atuei por três meses, na zona rural de Venda Nova, na localidade do Caxixe, com esta experiência me dei conta do quão importante e necessária pode ser nossa atuação como profissionais da informação e da leitura.
  Confesso que não tem sido fácil o caminho escolhido. Trabalhar em bibliotecas públicas no Brasil muitas vezes é sinônimo de “grandes dificuldades”. Nosso país apesar de já ter dado passos largos nos últimos anos em prol da educação e da formação de leitores, infelizmente não alcançou o patamar desejado e ainda há muito trabalho a fazer.
  Do ônibus que me levou para o trabalho, observava paisagens e ao mesmo tempo, as crianças e professoras. Elas, guerreiras corajosas e cheias de garra, educadoras com um longo caminho a percorrer em estrada de terra onde o ônibus as sacudia junto com alunos sorridentes e barulhentos já sonhando com as primeiras letrinhas escritas. 
  É muito gratificante ver que apesar de todas as dificuldades, muitos têm a coragem e o calor na alma que impulsiona para o futuro melhor, pois estudando, dominando a leitura e a escrita terão oportunidades melhores. Dizem que o brasileiro “não gosta de ler”, mas eu me pergunto sinceramente: o brasileiro não gosta de ler ou, o brasileiro não teve durante décadas e décadas acesso democrático aos livros?
  O bibliotecário tem um importante papel a desempenhar como “agente de transformação”, mas infelizmente a sociedade além de não reconhecer este profissional, também desconhece seus talentos, sendo comum comentários do tipo: Precisamos realmente de um Bibliotecário? Para quê ele serve? Nossa! Existe curso superior de Biblioteconomia?
  O antigo mito do “Bibliotecário mal humorado, guardião dos livros” ainda resiste em muitos lugares do Brasil e faz com que se tenha uma idéia deturpada da realidade que é a do profissional atualizado, pró-ativo, eficiente e engajado no processo da construção de uma nação leitora.
  A sociedade precisa se conscientizar da importância das bibliotecas no processo de ensino e os benefícios que oferece para os que buscam nela o conhecimento. Os profissionais precisam se reciclar, mudar sua postura, repensar suas práticas, se tornarem mais humanos, pró-ativos e menos tecnicistas.
  Na era digital é preciso que a informação seja encontrada com precisão e eficiência, avaliada e disseminada para os que precisam e assim, absorvida e compreendida, se tornar conhecimento. Este é o caminho traçado com qualidade e eficiência e só assim, haverá progresso e evolução, porque informação compreendida e disseminada é poder adquirido.
  Informação estagnada, apertada em prateleiras de estantes, onde o público não é cativado e incentivado para consultar não serve para nada. Somado a isso se o profissional também não tem carisma e amor pelo que faz, a única coisa que se conseguirá transmitir é o vazio da ignorância.
  O conhecimento que vem pelo domínio da leitura é uma arma poderosa e invencível, contra o analfabetismo, contra a ignorância, contra a falta de perspectivas e principalmente contra a falta de esperança num futuro melhor, mais digno. 
  O professor que lê, será um bom formador de leitores, pais que leem formam filhos leitores, um governante que lê e valoriza a leitura, com certeza está se preocupando com o futuro das suas crianças. Um Bibliotecário que trabalha com o coração e se empenha na busca por uma biblioteca eficiente e ativa está trabalhando em prol do progresso, pois um povo leitor, certamente será mais esclarecido, mais crítico e menos manipulável, consequentemente, mais iluminado.
  A luz que brilha nas mãos dos Bibliotecários, precisa ser mais forte e mais ardente, caso contrário se tornará só uma vela , fraca e sem brilho, no fundo de um túnel escuro e sem volta.

(Texto publicado na Tribuna Livre do Jornal A Tribuna do dia 10/12/2010)