sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Bibliotecária e a estrada de terra


“Quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado”


  Este ano atuei por três meses, na zona rural de Venda Nova, na localidade do Caxixe, com esta experiência me dei conta do quão importante e necessária pode ser nossa atuação como profissionais da informação e da leitura.
  Confesso que não tem sido fácil o caminho escolhido. Trabalhar em bibliotecas públicas no Brasil muitas vezes é sinônimo de “grandes dificuldades”. Nosso país apesar de já ter dado passos largos nos últimos anos em prol da educação e da formação de leitores, infelizmente não alcançou o patamar desejado e ainda há muito trabalho a fazer.
  Do ônibus que me levou para o trabalho, observava paisagens e ao mesmo tempo, as crianças e professoras. Elas, guerreiras corajosas e cheias de garra, educadoras com um longo caminho a percorrer em estrada de terra onde o ônibus as sacudia junto com alunos sorridentes e barulhentos já sonhando com as primeiras letrinhas escritas. 
  É muito gratificante ver que apesar de todas as dificuldades, muitos têm a coragem e o calor na alma que impulsiona para o futuro melhor, pois estudando, dominando a leitura e a escrita terão oportunidades melhores. Dizem que o brasileiro “não gosta de ler”, mas eu me pergunto sinceramente: o brasileiro não gosta de ler ou, o brasileiro não teve durante décadas e décadas acesso democrático aos livros?
  O bibliotecário tem um importante papel a desempenhar como “agente de transformação”, mas infelizmente a sociedade além de não reconhecer este profissional, também desconhece seus talentos, sendo comum comentários do tipo: Precisamos realmente de um Bibliotecário? Para quê ele serve? Nossa! Existe curso superior de Biblioteconomia?
  O antigo mito do “Bibliotecário mal humorado, guardião dos livros” ainda resiste em muitos lugares do Brasil e faz com que se tenha uma idéia deturpada da realidade que é a do profissional atualizado, pró-ativo, eficiente e engajado no processo da construção de uma nação leitora.
  A sociedade precisa se conscientizar da importância das bibliotecas no processo de ensino e os benefícios que oferece para os que buscam nela o conhecimento. Os profissionais precisam se reciclar, mudar sua postura, repensar suas práticas, se tornarem mais humanos, pró-ativos e menos tecnicistas.
  Na era digital é preciso que a informação seja encontrada com precisão e eficiência, avaliada e disseminada para os que precisam e assim, absorvida e compreendida, se tornar conhecimento. Este é o caminho traçado com qualidade e eficiência e só assim, haverá progresso e evolução, porque informação compreendida e disseminada é poder adquirido.
  Informação estagnada, apertada em prateleiras de estantes, onde o público não é cativado e incentivado para consultar não serve para nada. Somado a isso se o profissional também não tem carisma e amor pelo que faz, a única coisa que se conseguirá transmitir é o vazio da ignorância.
  O conhecimento que vem pelo domínio da leitura é uma arma poderosa e invencível, contra o analfabetismo, contra a ignorância, contra a falta de perspectivas e principalmente contra a falta de esperança num futuro melhor, mais digno. 
  O professor que lê, será um bom formador de leitores, pais que leem formam filhos leitores, um governante que lê e valoriza a leitura, com certeza está se preocupando com o futuro das suas crianças. Um Bibliotecário que trabalha com o coração e se empenha na busca por uma biblioteca eficiente e ativa está trabalhando em prol do progresso, pois um povo leitor, certamente será mais esclarecido, mais crítico e menos manipulável, consequentemente, mais iluminado.
  A luz que brilha nas mãos dos Bibliotecários, precisa ser mais forte e mais ardente, caso contrário se tornará só uma vela , fraca e sem brilho, no fundo de um túnel escuro e sem volta.

(Texto publicado na Tribuna Livre do Jornal A Tribuna do dia 10/12/2010)

O pão da alma...



Meu pai tem 65 anos...

Na sua dura infância, quase não frequentou a escola, só aprendeu a ler e a escrever.

Isto, porém não fez dele um homem de pedra pelo contrário, ele é etéreo e tudo que sou é graças à ele e toda sua sabedoria, conquistada lendo por conta própria um universo de livros que eu formada, não sei se um dia conseguirei ler...

Eu estava no primeiro ano do "primário" quando um dia ele resolveu construir uma escrivaninha embaixo de uma grande árvore que havia no quintal de casa, me disse assim: é para você estudar...

Quantas tardes eu passei ali naquele agradável recanto de luz e sombra amena. Nas leituras difíceis eu ia sorvendo minhas primeiras vitórias.

Quanto amor brotou deste simples gesto, quantos laços e nós indissolúveis se fizeram nestes momentos em que junto dos livros, aprendíamos também que a vida poderia ser boa e diferente sim, porque os livros lidos com certeza iam tornando-a mais feliz, mais leve e mais completa.

Acho que na verdade ele só queria agradar e tudo que fez por nós toda sua vida, fez por amor. Mas no fundo quem ganhou mais fui eu. Ganhei cada dia mais paixão e amor pelos livros e hoje esta paixão se tornou também minha profissão, sou bibliotecária.

Tenho boas recordações da minha infância simples e feliz em São Paulo, cresci vendo meu pai com livros nas mãos e assim, silenciosamente ele foi me ajudando a traçar meu caminho. Me ensinou que cuidando da vida, mesmo que seja com um gesto simples, um livro lido, o futuro pode ser muito diferente, muito melhor...

Ele cuidou de mim e hoje com meu trabalho, posso cuidar de outras crianças também. A leitura é assim mesmo.. Silenciosa, solitária, mas quanto nos diz, quanto nos ilumina, quanto nos alimenta.

Obrigada pai, pelo pão que também nunca faltou para minha alma.


(Escrevi este texto há 2 anos atrás...)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Biblioteca do Tatuapé



Hoje está sendo um dia de muito saudosismo para mim, a saudade é tanta que chega a apertar o peito.

Recordo do pai, sentado no muro da Santista lendo enquanto eu andava de velocípede em plena Salim Farah Maluf, o caminhar calmo, segurando a mão da minha mãe todos os dias de manhã, para não chegar desarrumada à escola e à tarde virando cambalhotas na grama. O bar do "seu Antônio", meu amigo Ricardo, o Beco, o casario antigo, minha vó, as árvores e o balanço no nosso quintal...

As lembranças da infância e os acontecimentos que envolviam meu dia-a-dia de criança chegaram tão fortes hoje que chego a ficar com lágrimas nos olhos de recordar coisas que o tempo levou e nunca mais voltarão..

A Avenida que por tantas vezes atravessei e na qual olhava de um lado para o outro do portão para ver “se meu pai estava na esquina”. É, quando eu começa a perturbar muito, ele me mandava ver se ele “estava na esquina” e eu que morava numa rua particular, lá no fundo, saia correndo igual tonta, para ir até o portão “verificar onde meu pai estava...E o pior, voltava e dizia para ele: “Não está não pai!”.

Estudei o todo pré na Emei Mary Buarque e quando minha mãe demorava a vir me buscar (nós ficávamos sentados na entrada da escolinha, aguardando nossas mães) eu fugia do pátio e corria para a biblioteca que tinha uma entrada lateral por dentro da escolinha. Minha mãe até sabia, se não me via no pátio, era porque tinha escapado da fila e estava na biblioteca...

Tinha uma salinha de leitura com estantes baixas e livros sem ordenação que podiam ser lidos livremente, para mim era o máximo... Adorava ver os livros, só olhava, porque ainda não sabia ler.

Esta biblioteca para mim era mágica, tinha um hall e nele várias portas que davam para inúmeras salas, aconteciam atividades. O chão era de madeira brilhosa, tudo tão lindo e organizado e o melhor: eu tinha um cartão de empréstimo de livros! Me sentia o máximo! 

Depois fui para a Escola Arthur Azevedo ao lado, estudei nesta só um ano, mas tenho tantas recordações.

Da professora Cecília, das escadarias da escola que descíamos de bumbum, do pátio onde todos alunos reunidos em filas cantavam antes de entrar na aula o hino nacional. Usávamos um uniforme bonito: saia de pregas, camisa branca, sapatos de fivela e meias até os joelhos. Era engraçado... 

Foi nesta escola que aprendi  a ler e quando passei de ano ganhei da minha professora meu primeiro livro, cheio de letras: o Caranguejo Bola, com capa dura cor de rosa e algumas ilustrações. Infelizmente o perdi, uma lástima isso... Adoraria ter esta recordação da professora que me ensinou a ler.  

Acho que foi pelo exemplo do meu pai e esta biblioteca tão maravilhosa pertinho da minha casa que adquiri o gosto pela leitura, todo bairro deveria ter pelo menos uma sala de leitura para as crianças frequentarem, com certeza isso faria muita diferença na vida de muitas... E olha que no meu tempo os livros nem eram assim tão lindos como os de hoje, cheios de ilustrações maravilhosas e histórias bem escritas, mesmo assim para mim aquela época foi um marco decisivo em minha vida.

Não me canso de dizer o quanto sou feliz por ser bibliotecária, o quanto sou feliz por gostar de livros, de ler... Só tenho a agradecer.

Gostaria muito de poder ir um dia novamente à esta Biblioteca no Tatuapé, descobrir se ainda tenho cadastro lá (risos). 

Seria muito bom, matar esta saudade, mas enquanto esse dia não chega... Agradeço e abençoo este lugar que tanto alegrou minha infância: a Biblioteca Pública do Tatuapé, hoje Prof. Arnaldo Magalhães Giácomo.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Um Francisquês para 2013!

Este ano foi muito produtivo também. Novamente, vivi muito, trabalhei muito, andei muito de bicicleta, amei muito (todos vocês), tive muita PACIÊNCIA. Como tive!
2012 foi um ano cheio de emoções: casamos os encalhados (né Iza?!), a vovó ressuscitou e colecionei VITÓRIAS, segundo meu pai (kkkkk, mas ele é meio suspeito, né?!),
 AH E JÁ IA QUASE ME ESQUECENDO!!! Ganhamos um Fusca vermelho!!!
E o milagre: conseguimos comprar um lote lááááá em S. Roque!! Um pedaço do céu, (ou do Celso, como queiram!). E para fechar o ano com chave de ouro: o Celso ganhou um joelho novo!
Mas, este ano quem aprendeu mais aqui em casa foi o Fran, aprendeu muitas palavras... (que a Dra. Cíntia, nunca leia isso, rsrsrsrs), mas vejam com seus próprios olhos! Já dá para montar um glossário, um Francisquês! 
Vou publicar aqui para auxiliar quando o levarem para passar o dia com vocês!
 Kiko Meia Kuti = Nome dele completo
Bigbuc = Facebook
Gamocê = Amo você
Pupa = Desculpa
Culo= Escuro
Ponhão  = Pião
Migos = Amigos
Colinha = Escolinha
Cucu = Suco
Cucu quem = Leite quente
Cucu Xi  = Suco de abacaxi
Mel = mingau
Cojo = Miojo
Cocoito = Biscoito
Catafita = Batata  frita
Guiça = Linguiça
Vovu = Ovo
Ati = Chocolate
Ninim =  danoninho
Guero - Dinheiro
Méda = Moeda
Zão = televisão
Pabói  = Caubói
Pabóia  = Caubói (moça)
Arvi tal  = Árvore de natal
Gugas ninja= Tartarugas ninjas
Omi Ferro = Homem de Ferro
Xôquito = mosquito
Pê pipe= Pequeno Príncipe
Caco Botas = Gatos de Botas
Pinguis Macujá = Pinguins de Madagascar
Mimimi – Backyiardigans
Cocoi = Pocoyo
Tatitatá = Patati Patatá
Inhaim = Aranha
Seo Má – S. Ademar
Izi  = Luzia
Mina = Marina
Bebelos = Cabelos
Guedi = Band Aid
Vovó Guida = Vovó Margarida
Móla = Mariola
Papai quel = Papai do céu
Mamãe quel = Nossa senhora

Frase mais usada: foi mi ímã = foi minha irmã (muito injusta por sinal, rsrsrs)
Frase mais difícil:có inhaim mãe, quá meu = Óculos do aranha mãe, no meu quarto.
DESEJO UM 2013 CHEIO VELHAS MAS, IMPORTANTES PALAVRAS: 
AMOR, SAÚDE, PAZ E FÉ!  E COMO DIZ O FRANCISCO:

FILIZ DIA OVO!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O mundo melhor com o qual nós tanto sonhamos, depende somente de nós



A cada dia que eu vivo, percebo que se não for pelo sofrimento e por muito empenho de pessoas realmente preocupadas com seus semelhantes, que o mundo não vai mudar. Ao longo dos anos houveram "progressos", mas muitas outras tristezas de porte e níveis diferentes surgiram, criando novos desafios para dificultar nossa evolução.

Antigamente usavam-se os termos racismo, xenofobia, ditadura e autoritarismo. Hoje se fala: preconceito, bullying, assédio moral, corrupção, perseguição política... Mudam-se o termos, mas os mesmos sofrimentos perduram, percorrendo quilômetros, tomaram novas formas, proporções agora virtuais e mundiais, parecendo na verdade que continuamos os mesmos de sempre... Só nos modernizamos na etimologia.

Jesus para mim foi o maior homem que existiu entre nós, o maior “marqueteiro” e o maior exemplo de amor que poderíamos ter recebido. Pela grandiosidade de sua simples existência, deveríamos ter nos tornado muito melhores do que hoje somos. Porém, em alguns momentos quando olhos nos olhos dos homens, vejo o quanto eles ignoram o sacrifício que ele fez para nos mostrar o verdadeiro sentido da vida. Os seres humanos tem medo... Mas não tem vergonha...

Depois Dele, na história da humanidade inúmeras outras pessoas trilharam os caminhos de renúncia através de lutas em prol de maiorias sofridas e desamparadas. Se fizermos um estudo, que não precisa nem ser profundo, descobriremos que quase 100% dos hoje considerados "grandes personagens" da nossa história, antes eram pessoas que por mais boas e engajadas que fossem, não eram reconhecidas, nem respeitadas.

Não foram valorizadas, passaram por humilhações e sofrimentos diversos e infelizmente, alguns somente após sua morte é que tiveram seus ”feitos” reconhecidos. Ninguém que fez o BEM, teve “tapete vermelho” para caminhar, pelo contrário, o caminho das pessoas dedicadas à fazer o bem quase sempre era em meio a espinhos, Jesus que o diga... E Pitágoras também afirma: “Os homens são miseráveis, porque não sabem ver, nem entender os bens que estão ao seu alcance.”

Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, Luther King, Mandela, Irmã Dulce, Chico Xavier entre outros, foram pessoas maravilhosas e exemplos fiéis de que "uma pessoa do bem" geralmente é tímida, humilde, não se impõe, é pouco valorizada e o que é o principal: quase sempre tem (aos nossos olhos) um fim triste, sendo isso mais um exemplo de como o ser humano é incapaz de enxergar tudo que realmente tem valor na vida. 

Hoje mesmo existe um homem no Brasil, o Ministro Joaquim Barbosa, que está sendo considerado um herói. Eu particularmente o admiro e também o vejo com estes olhos, mas olhando friamente ele nada mais é, do que um ser humano que no exercício de sua profissão tem tomado as atitudes que qualquer outra pessoa ou profissional ético deveria tomar. 

Só que para nós de uma maneira geral, isto é tão incomum que acabamos por endeusar pessoas que na verdade estão só e unicamente fazendo o que é correto e seu dever. O ministro é um exemplo sim, de que uma pessoa obstinada, que tendo sólidas raízes e uma bagagem repleta de princípios e valores, pode chegar onde quer que queira, bastando apenas dedicação e coragem para persistir nos sonhos e no caminho do BEM. Ele não é um herói, mas sim um homem de bem... Mais um exemplo a ser seguido.

Falar sobre os Negros, sobre racismo, preconceito hoje já é algo tão “batido”, tanto se fala, fala, vemos transformações, mas bem lá no fundo muitos digo, grande parte, carrega ainda um certo negativismo lá “embaixo dos panos”, escondido claro, para ninguém perceber, mas na verdade carrega...

É muito fácil falar mal dos negros hoje, colocar neles a culpa pelas tragédias das periferias, acusá-los  por mal comportamento, por serem pobres, se tornarem criminosos e macular “nossa sociedade”, mas olhando para dentro de nós mesmos, olhando para nossa história veremos que somos os culpados por grande parte da infelicidade que até hoje muitos dos nossos irmãos negros vivem.

Os Africanos foram trazidos para nosso país contra sua vontade, em condições subumanas, eram forçados a trabalhar em nossas propriedades, realizando nossos caprichos, sem contar as demais atrocidades pelas quais os fizemos passar.

Aí em algum momento da história  do Brasil algumas poucas “pessoas de bem” passaram a se mobilizar e a lutar pelo abolicionismo, tentando por fim de uma vez por todas em nosso país nesta prática tão odiosa.

Fico me perguntando como pessoas cultas, ricas e informadas podiam achar “normal” escravizar outros seres humanos, diferentes deles somente na etnia e na nacionalidade. Com o abolicionismo, chegou ao fim no Brasil uma escravidão que durou longos 358 anos! Podem imaginar tamanha aberração? Gerações e gerações sofrendo do dia  em que nasceram até a morte, sem que ninguém fizesse nada por eles...

Finalmente quando foi assinada a Lei Áurea, esta triste página da nossa história teve fim e chegou o momento de finalmente nós brasileiros fazermos algo em prol dos nossos irmãos negros, brasileiros como nós, como agimos? Acho que pior ainda...

Os negros foram jogados para fora das propriedades dos seus "donos", sem direito a nada, sem apoio algum, relegados a sua própria sorte, passando a vagar pelas ruas, precisando roubar e mendigar para conseguir viver... 

Dessem naquela época, para cada um deles, 100m2 de terra para vermos o que teria acontecido. Nosso país é enorme, eles teriam trabalhado, o que fizeram por gerações e gerações para os outros, teriam tido como recomeçar suas vidas de forma digna e honrada, que era merecido após 358 anos de trabalho escravo. 

Talvez hoje não teríamos tantas culpas para carregar. Porque somos sim, culpados, pela situação muitas vezes desfavoráveis em que os negros brasileiros estão. Tudo melhorou muito, mas ainda há muito a melhorar e tenho certeza do que digo, porque se assim não fosse, não eram necessárias leis, cotas e nenhum outro tipo de mecanismo legal para garantir direitos aos negros.

Para nos ensinar a viver e nos mostrar o caminho do bem muitos, sejam negros ou brancos, mulheres e homens foram humilhados publicamente, ridicularizados, desvalorizados e alguns precisaram entregar as próprias vidas para somente então serem vistos e ouvidos. Os seres humanos se dizem tão “evoluídos e modernos”, mas ainda nos dias atuais são incapazes de respeitar questões éticas mínimas, que fazem parte do nosso dia a dia.

Às vezes apontamos o nosso dedo para o vizinho do lado e não enxergamos o próprio umbigo, falamos mal de um colega de trabalho e não somos capazes nós mesmos de nos concentrar e concluir nossas próprias atividades. Furamos filas, não devolvemos celulares que encontramos na rua, muitos quando acham dinheiro, nem sequer pensam em procurar o dono. Quem porventura acha e devolve também é considerado “herói”, quando na verdade nada mais é do alguém fazendo o que é correto, o que todos nós por conhecimentos, informações e conduta moral reta, deveríamos fazer... E isso não é ato heroico, mas sim conduta de vida.

É muito triste ver o que ainda somos capazes de “não fazer”, porque o que somos capazes de fazer é visto facilmente em qualquer esquina. Hoje em dia é muito mais fácil fazer o mal do que fazer o bem...

A bondade é muito tímida e medrosa, o mau é gigante e infelizmente corajoso. O poder e o dinheiro dão coragem e intimidam os bons que permanecem encolhidos e melindrados, com medo do que possa acontecer com suas vidas já tão combalidas. È o bom e velho "manda quem pode, obedece quem tem juízo."

As pessoas precisam aprender que quem trilha o caminho do bem, nunca consegue nada com facilidade, pelo contrário, facilidade só existe para quem busca o caminho mais curto, o da vantagem e da desonestidade, mas ainda que mais difícil: como é bom ser bom! Cito aqui outra frase de PitágorasAnima-te por teres de suportar as injustiças, pois a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.” 

Seja em que circunstância for, ser bom por escolha própria e também aos olhos de Deus será sempre o melhor caminho, mesmo que ao seu redor, ninguém pense assim...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A campanha foi para o Facebook!!

Eu que já fiz meus quarentinhas, acho que tenho direito de opinar com um pouco mais de tranquilidade. Fico impressionada com certos comportamentos.

Estava admirada, pois esta cidade está na maior paz e tranquilidade embora em tempos de eleições, mas me enganei completamente, pois o “vuco-vuco” está disfarçado. Agora é virtual! As eleições estão no Face!

Gente pelo amor de Deus! Como vocês são “estranhos”.

Qualquer pessoa de bom senso que se preze poderá enxergar e chegar a conclusão que Venda Nova é bem administrada (de uma forma geral). Há cidades bem próximas daqui que são muito complicadas politicamente e socialmente falando, terríveis.
Venda Nova é um “oásis”, bonita, bem organizada e tem sido assim há muitos anos. Não é necessário botar tudo num saco e falar que tudo é uma porcaria...

Acho que aqui o que é mais é necessário, vital mudar é a mentalidade das pessoas. Arraigadas em preconceitos, “achismos” sem sentido e que não nos levará a lugar algum.

Ao invés de todos vocês ficarem brigando igual uns bobões, vocês deviam é se unir pelo município. Lutar para modificar, melhorar o que é preciso melhorar, ampliar os horizontes, evoluir. Se engalfinharem mesmo que seja virtualmente não nos levará a lugar algum.

Ofender, magoar, perder amigos, dividir ao invés de multiplicar não ajudará em nada o município de Venda Nova.

As administrações passadas têm seus méritos, a atual também deve ter os seus e assim caminhamos. O sr. Braz e seus antecessores fizeram boas coisas pelo Município, olhe para Venda Nova (com olhos abertos) e veja que cidade legal para se viver nós temos! O sr. Dalton também fez seus progressos, trabalhou.

Em todas administrações ganha-se ou perde-se. Não é possível ser 100% em tudo, mas também não precisa ser -10%. É para isso que servem as eleições. Para renovar os ares, criarem-se novos horizontes, não é para SE CRIAREM NOVOS E MILENARES INIMIGOS.

O azul é uma cor linda, o amarelo também é lindo! Cada cor dentro das suas peculiaridades tem sua graça. E o que seria do azul se todos gostassem do amarelo?

Gente, nessas horas que vejo que falta faz um livro! Vão ler, se informar, entender o que é política o que ela representa em nossas vidas, vão se iluminar para fazer sua parte acendendo no mínimo sua própria luz, para que iluminado possam iluminar também a vida de outras pessoas.
Eu fico admirada de ver tantas bobeiras sem sentido sendo faladas e nenhum Cristão para chamar atenção de todos (jovens, cidadãos, funcionários, políticos) para a razão. Qual é a razão? Eu explico:

Todos nós cidadãos temos de estar conscientes do nosso papel, sermos participativos nas eleições, votarmos naquele cujos projetos atendem mais as expectativas que temos em relação à administração municipal e PRONTO!!!!! Nada mais que isso gente!

Ah que fulano não fez nada no passado, que beltrano não fez nada no presente, que cicrano não vai fazer nada no futuro! PELO AMOR DE DEUS! Acordem para a vida!

Vão estudar, trabalhar, cada um deve ter suas obrigações, seus papéis a cumprir. A política deve ter um diálogo amplo, irrestrito e inteligente. Fazer picuinhas não é fazer política!

Se liguem!
Juntos, unidos, podemos muito mais que nos engalfinhando e nos desrespeitando. Um só prefeito será eleito, e que este seja um bom prefeito PONTO.

Não é porque um grupo faz oposição que terá menos importância depois se seu candidato não for eleito, e se a situação também não se reeleger, não é por isso que quem estava na situação, tem de ser “chutado para fora da aldeia” igual fazem os Smurfs (tenham santa paciência!). Vocês são muito esquisitos...

Ao invés de unirem esforços, todos os lados, credos, etnias e naturalidades, se separam e se ofendem em prol de uma situação que ninguém de fato sabe como terminará.

O certo é que depois, ou um ou outro lado, irá ficar com a maior cara de tacho! E tudo isso para quê? O que Venda Nova vai ganhar com toda esta discussão sem sentido? Nada...

Se o Sr.Braz ganhar que ele possa fazer um bom governo, que ele melhore a vida das pessoas que aqui vivem e que TODOS JUNTOS possamos estar caminhando por um município melhor. Se o Sr. Dalton ganhar que ele possa fazer um bom governo, que ele melhore a vida das pessoas que aqui vivem e que TODOS JUNTOS possamos estar caminhando por um município melhor. Pensem nisso!

Independente do prefeito o que nós precisamos é de mentes mais abertas, pessoas mais empenhadas em mudanças para todos, não para um determinado “grupo de situação”, que as crianças possam ser valorizadas por meio da educação de primeiríssima qualidade, que os vovôs possam ter saúde e alegria de viver, que os jovens tenham lazer e entretenimento saudáveis, que as mulheres sejam sempre respeitadas e amparadas, que os homens tenham acesso digno ao mercado de trabalho e que não falte emprego para os pais de família que têm responsabilidades com várias vidas.
A tudo isso damos o nome de direitos humanos, podíamos chamar também de um olhar para a vida de forma integral, sem parcialidades, sem preconceitos políticos, sem falta de AMOR AO PRÓXIMO. Aqui falta muita coisa ainda, mas o que falta mais, nem o Braz, nem o Dalton, podem fazer. Depende só de nós...

Bom... Espero que eu escape ilesa deste texto. Mas falo tudo isso com muito amor porque gosto de Venda Nova e desejo o bem do município que escolhi para viver. Espero que vocês também pensem como eu. Amém!