quarta-feira, 12 de março de 2014

12 de março: dia do Bibliotecário e da Biblioteca nossa de cada dia


            Sou Bibliotecária há dez anos destes, oito atuo em Biblioteca Pública. Desde a faculdade era o que desejava, porque tinha consciência da importância que este tipo de biblioteca tem para a comunidade onde está inserida. Sempre leio sobre a necessidade de modernização e ampliação do número de Bibliotecas Públicas no Brasil e estas questões me fazem pensar... 

Antes de chegar aqui, não tinha experiência alguma e o pouco que recebi foram informações muito negativas vindas de colegas que já atuavam nestas unidades e também dos próprios professores. Na época que estudei, a faculdade não dava muito ênfase aos conteúdos voltados para profissionais atuarem em Bibliotecas Públicas.

Mesmo assim meu ideal profissional prevaleceu e quis dar minha contribuição. Hoje após todos estes anos percebo que na realidade o problema não é a Biblioteca Pública em si, mas sim as pessoas ou setores que as conduzem dentro do sistema administrativo em que ela está inserida, o que quero dizer com isso? Que trabalhar em Biblioteca Pública pode ser sim muito bom! Na verdade precisamos de dois fatores somente para ter sucesso, muito simples, mas muito difíceis de alcançar: apoio e respeito.

Vejo que o poder público principalmente nas pequenas cidades (que são a maioria) não valoriza a Biblioteca Pública e faz muito pouco ou nada, para criar condições propicias que incentive o hábito da leitura na população. Não fosse o trabalho realizado pelas escolas e professoras aqui, por exemplo, se dependesse só da Biblioteca Pública haveria um cemitério de leitores.

Pelas experiências que vivi nos últimos anos e que acredito, sejam bem parecidas na maioria dos municípios brasileiros, penso que a única forma de tornar a Biblioteca Pública um setor realmente produtivo e relevante é dar autonomia legal para que ela desempenhe seu papel junto à sociedade. Tirar das mãos dos políticos e das prefeituras e dar para associações, grupos de pessoas interessadas juntamente com profissionais formados em biblioteconomia a autonomia para trabalhar, planejar e agir de acordo com demanda existente.

Criar leis que obriguem a destinação de verbas anuais de acordo com o tamanho da população e fazer com que os profissionais que atuam nestas bibliotecas simplesmente prestem contas exatas dos recursos utilizados e resultados alcançados. E assim, oferecer serviços informacionais de qualidade e realizar as atividades necessárias, sem estar constantemente “mãos estendidas” implorando.

No geral a rotina das Bibliotecas Públicas inclui: não ter verba oficial, não receber apoio para executar melhorias estruturais e físicas, não ter incentivo para projetos, não comprar livros, o que sempre existe são alguns poucos funcionários para atender os frequentadores e organizar o ambiente. Livros novos são poucos e quando são comprados, é com dinheiro de multas.

Sou Bibliotecária formada, concursada e atuo em uma Biblioteca Pública onde não tenho autonomia para fazer nada, não tenho direito a opinar, não sou ouvida, não sou consultada e fazem o que querem da Biblioteca Municipal, tenho de ver e ouvir passivamente tudo que decidem fazer sem poder intervir ou, evitar que falhas graves sejam cometidas.

Enquanto as Bibliotecas Públicas viverem sob o poder das administrações de visão restrita e limitada a interesses políticos, não haverá possibilidade de mudança da realidade em que elas estão inseridas e como sempre, o maior prejuízo fica para a sociedade. Não sei se a criação de leis que obriguem as prefeituras apoiarem, talvez tornar todas as Bibliotecas Públicas legalmente constituídas em órgãos federais, não sei se propiciar autonomia e ação de trabalho para os Bibliotecários pode mudar isso, mas o fato é que enquanto as Bibliotecas estiverem a mercê de política e administrações públicas, elas dificilmente sairão desta escuridão em que se encontram.

Só um exemplo: está para ser desativado onde trabalho um software de primeira linha, que conse­gui­mos com muito empenho adquirir e é de propriedade da Biblioteca. A informatização do acervo este ano entrou em fase final, pois há quatro anos trabalhamos com este sistema que é excelente e atende com eficiência as necessidades da biblioteca, dos leitores, mas enfim vai ser substituído.

Será desativado, por motivações externas que envolvem, além de outros fatores, o gasto de R$ 190,00 por mês que a prefeitura acredita ser desnecessário, haja vista que a atual empresa que ganhou a licitação possui um “módulo” para bibliotecas que pode ser utilizado ou seja, não há preocupação com o tra­balho executado até este ano, com o fato do novo software ser inferior, com os gastos feitos até o momento para o atual sistema funcionar (suporte e todo material utilizado nestes quatro anos), não há preocupação se haverá qualidade realmente nos serviços prestados. Com afirmações pouco consistentes, tentam nos convencer de uma mudança que não tem como ser positiva nem para a Biblioteca, tão pouco para os leitores.

Conclusão, de volta ao início: se o poder público deseja qualificar as Bibliotecas Públicas, criar novas, aumentar seus resultados e criar políticas de leitura, em primeiro lugar precisa fazer com que as Bibliotecas Públicas tenham seu valor, seus direitos reconhecidos e respeitados porque modernizar e multiplicar bi­bliotecas, formar profissionais para atuarem de forma eficiente e correta, mas que em seus ambien­tes de trabalho são obrigados a fazer e aceitar tudo que é errado, não nos ajuda em nada, só perpetra a situa­ção atual em que trabalhamos: à base de milagres e orações.

Sem apoio real, concreto e relevante, nada mudará. Espero com minhas palavras estar contribuindo de alguma forma e que o pequeno ponto de luz que eu teimo em manter acesso, apesar de todas as adversidades, possa se unir a vários outros e, fortes, ilu­minarmos a vida daqueles que precisam da luz do conhecimento. 


Sandra Küster, Bibliotecária por vocação há 10 anos



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Para meus amigos e amigas, com todo meu amor!

Estava assistindo a um vídeo sobre os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer. O quarto é "gostaria de ter mantido contato com meus amigos". Isso tocou fundo em meu coração...

Pois é, a reviravolta drástica que fiz há alguns anos quando mudei de vida, mudei de cidade emprego, entre outras coisas, me fez enxergar tantos detalhes que antes passavam desapercebidos ...

Eu vivi tantos anos em São Paulo e antes mesmo de me mudar, deixei tantas pessoas perdidas para trás, quando eu ainda estava lá, tão perto. Então me pergunto: por quê será que estas coisas acontecem? Meio estranho pensar nisso...

Minha cabeça vive povoada de recordações e as pessoas vão voando pela minha mente num tumulto enorme de sentimentos, tristezas, alegrias, elas vem e vão, trazendo cada uma sua história, minha história, nossa história.

São tantos amigos, é tanta vida que eu me pergunto: Como cabem tantas vidas em mim? Com tantas pessoas caminhei, aprendi, vivi, sorri, briguei, quanto caminhei.

Na infância as crianças da minha rua, aquelas com as quais cresci, me misturei, nos misturamos em nossas famílias, cada um na sua casa, todos juntos na mesma história, na mesma brincadeira, no mesmo futuro infinito. Éramos todos tão pequenos, tão pouco sabíamos do que ia nos acontecer, da distância que um dia teríamos uns dos outros, o quanto seríamos estranhos, é uma pena... Uma pena viver sem saber que um dia estaríamos tão longe e haveria tanta saudade.

Na juventude, aquela loucura do viver! De viver tudo, a todo instante, a cada minuto, o tempo todo, sem pensar, sem preocupar, só viver. São tantos risos e tantas lágrimas, crescer dói. Aprendemos juntos, que a morte e vida andavam muito perto. Sofremos, crescemos, vivemos.

Tive amigos e amigas tão especiais, tive tanta sorte nesta vida... 

Às vezes, já disse isso antes... Só algumas vezes, me esqueço de quem sou, fico brava, brigo com Ele, faço cara feia, choro de raiva. Quero mais, acho tudo pouco. Quanta ingratidão.

Estudei numa escola privilegiada, repleta de pessoas criativas, cheias de vida e energia, que não se conformavam com a vida comum, estudavam e davam cores ao mundo. Artistas.

Fiz tantos amigos nos lugares que trabalhei, conheci tantas coisas por eles, pelas mãos e pelos carinhos deles, vivi tanto, sonhei tanto, sorri tanto. Tanto do que sou hoje, devo a tantas pessoas que passaram pela minha vida, tão sutilmente, tão delicadamente que eu nem percebi... E se foram, mas deixaram um pouco deles em mim.

Sendo assim, como posso reclamar eu da vida? Me sinto tão rica em momentos como este, que consigo me despir de mim mesma e passo em palavras o que tenho em meu coração.

Quantas pessoas que vivem neste mundo, nascem já sozinhas, vivem suas dores sozinhas e muitas vão morrer  também sozinhas.
  
Eu não... Eu tive muitos amigos!

Com eles cresci, com eles vivi, com eles parti em busca dos sonhos. Quisera eu ser recordada por algum deles, em algum momento bom, me sentiria mais repleta ainda. Então deixo aqui esta  frase, muito linda, que descreve bem meu sentimento hoje, para todos vocês: 

“a felicidade aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam em sua vida.”

 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Bibliotecária e a estrada de terra


“Quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado”


  Este ano atuei por três meses, na zona rural de Venda Nova, na localidade do Caxixe, com esta experiência me dei conta do quão importante e necessária pode ser nossa atuação como profissionais da informação e da leitura.
  Confesso que não tem sido fácil o caminho escolhido. Trabalhar em bibliotecas públicas no Brasil muitas vezes é sinônimo de “grandes dificuldades”. Nosso país apesar de já ter dado passos largos nos últimos anos em prol da educação e da formação de leitores, infelizmente não alcançou o patamar desejado e ainda há muito trabalho a fazer.
  Do ônibus que me levou para o trabalho, observava paisagens e ao mesmo tempo, as crianças e professoras. Elas, guerreiras corajosas e cheias de garra, educadoras com um longo caminho a percorrer em estrada de terra onde o ônibus as sacudia junto com alunos sorridentes e barulhentos já sonhando com as primeiras letrinhas escritas. 
  É muito gratificante ver que apesar de todas as dificuldades, muitos têm a coragem e o calor na alma que impulsiona para o futuro melhor, pois estudando, dominando a leitura e a escrita terão oportunidades melhores. Dizem que o brasileiro “não gosta de ler”, mas eu me pergunto sinceramente: o brasileiro não gosta de ler ou, o brasileiro não teve durante décadas e décadas acesso democrático aos livros?
  O bibliotecário tem um importante papel a desempenhar como “agente de transformação”, mas infelizmente a sociedade além de não reconhecer este profissional, também desconhece seus talentos, sendo comum comentários do tipo: Precisamos realmente de um Bibliotecário? Para quê ele serve? Nossa! Existe curso superior de Biblioteconomia?
  O antigo mito do “Bibliotecário mal humorado, guardião dos livros” ainda resiste em muitos lugares do Brasil e faz com que se tenha uma idéia deturpada da realidade que é a do profissional atualizado, pró-ativo, eficiente e engajado no processo da construção de uma nação leitora.
  A sociedade precisa se conscientizar da importância das bibliotecas no processo de ensino e os benefícios que oferece para os que buscam nela o conhecimento. Os profissionais precisam se reciclar, mudar sua postura, repensar suas práticas, se tornarem mais humanos, pró-ativos e menos tecnicistas.
  Na era digital é preciso que a informação seja encontrada com precisão e eficiência, avaliada e disseminada para os que precisam e assim, absorvida e compreendida, se tornar conhecimento. Este é o caminho traçado com qualidade e eficiência e só assim, haverá progresso e evolução, porque informação compreendida e disseminada é poder adquirido.
  Informação estagnada, apertada em prateleiras de estantes, onde o público não é cativado e incentivado para consultar não serve para nada. Somado a isso se o profissional também não tem carisma e amor pelo que faz, a única coisa que se conseguirá transmitir é o vazio da ignorância.
  O conhecimento que vem pelo domínio da leitura é uma arma poderosa e invencível, contra o analfabetismo, contra a ignorância, contra a falta de perspectivas e principalmente contra a falta de esperança num futuro melhor, mais digno. 
  O professor que lê, será um bom formador de leitores, pais que leem formam filhos leitores, um governante que lê e valoriza a leitura, com certeza está se preocupando com o futuro das suas crianças. Um Bibliotecário que trabalha com o coração e se empenha na busca por uma biblioteca eficiente e ativa está trabalhando em prol do progresso, pois um povo leitor, certamente será mais esclarecido, mais crítico e menos manipulável, consequentemente, mais iluminado.
  A luz que brilha nas mãos dos Bibliotecários, precisa ser mais forte e mais ardente, caso contrário se tornará só uma vela , fraca e sem brilho, no fundo de um túnel escuro e sem volta.

(Texto publicado na Tribuna Livre do Jornal A Tribuna do dia 10/12/2010)

O pão da alma...



Meu pai tem 65 anos...

Na sua dura infância, quase não frequentou a escola, só aprendeu a ler e a escrever.

Isto, porém não fez dele um homem de pedra pelo contrário, ele é etéreo e tudo que sou é graças à ele e toda sua sabedoria, conquistada lendo por conta própria um universo de livros que eu formada, não sei se um dia conseguirei ler...

Eu estava no primeiro ano do "primário" quando um dia ele resolveu construir uma escrivaninha embaixo de uma grande árvore que havia no quintal de casa, me disse assim: é para você estudar...

Quantas tardes eu passei ali naquele agradável recanto de luz e sombra amena. Nas leituras difíceis eu ia sorvendo minhas primeiras vitórias.

Quanto amor brotou deste simples gesto, quantos laços e nós indissolúveis se fizeram nestes momentos em que junto dos livros, aprendíamos também que a vida poderia ser boa e diferente sim, porque os livros lidos com certeza iam tornando-a mais feliz, mais leve e mais completa.

Acho que na verdade ele só queria agradar e tudo que fez por nós toda sua vida, fez por amor. Mas no fundo quem ganhou mais fui eu. Ganhei cada dia mais paixão e amor pelos livros e hoje esta paixão se tornou também minha profissão, sou bibliotecária.

Tenho boas recordações da minha infância simples e feliz em São Paulo, cresci vendo meu pai com livros nas mãos e assim, silenciosamente ele foi me ajudando a traçar meu caminho. Me ensinou que cuidando da vida, mesmo que seja com um gesto simples, um livro lido, o futuro pode ser muito diferente, muito melhor...

Ele cuidou de mim e hoje com meu trabalho, posso cuidar de outras crianças também. A leitura é assim mesmo.. Silenciosa, solitária, mas quanto nos diz, quanto nos ilumina, quanto nos alimenta.

Obrigada pai, pelo pão que também nunca faltou para minha alma.


(Escrevi este texto há 2 anos atrás...)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Biblioteca do Tatuapé



Hoje está sendo um dia de muito saudosismo para mim, a saudade é tanta que chega a apertar o peito.

Recordo do pai, sentado no muro da Santista lendo enquanto eu andava de velocípede em plena Salim Farah Maluf, o caminhar calmo, segurando a mão da minha mãe todos os dias de manhã, para não chegar desarrumada à escola e à tarde virando cambalhotas na grama. O bar do "seu Antônio", meu amigo Ricardo, o Beco, o casario antigo, minha vó, as árvores e o balanço no nosso quintal...

As lembranças da infância e os acontecimentos que envolviam meu dia-a-dia de criança chegaram tão fortes hoje que chego a ficar com lágrimas nos olhos de recordar coisas que o tempo levou e nunca mais voltarão..

A Avenida que por tantas vezes atravessei e na qual olhava de um lado para o outro do portão para ver “se meu pai estava na esquina”. É, quando eu começa a perturbar muito, ele me mandava ver se ele “estava na esquina” e eu que morava numa rua particular, lá no fundo, saia correndo igual tonta, para ir até o portão “verificar onde meu pai estava...E o pior, voltava e dizia para ele: “Não está não pai!”.

Estudei o todo pré na Emei Mary Buarque e quando minha mãe demorava a vir me buscar (nós ficávamos sentados na entrada da escolinha, aguardando nossas mães) eu fugia do pátio e corria para a biblioteca que tinha uma entrada lateral por dentro da escolinha. Minha mãe até sabia, se não me via no pátio, era porque tinha escapado da fila e estava na biblioteca...

Tinha uma salinha de leitura com estantes baixas e livros sem ordenação que podiam ser lidos livremente, para mim era o máximo... Adorava ver os livros, só olhava, porque ainda não sabia ler.

Esta biblioteca para mim era mágica, tinha um hall e nele várias portas que davam para inúmeras salas, aconteciam atividades. O chão era de madeira brilhosa, tudo tão lindo e organizado e o melhor: eu tinha um cartão de empréstimo de livros! Me sentia o máximo! 

Depois fui para a Escola Arthur Azevedo ao lado, estudei nesta só um ano, mas tenho tantas recordações.

Da professora Cecília, das escadarias da escola que descíamos de bumbum, do pátio onde todos alunos reunidos em filas cantavam antes de entrar na aula o hino nacional. Usávamos um uniforme bonito: saia de pregas, camisa branca, sapatos de fivela e meias até os joelhos. Era engraçado... 

Foi nesta escola que aprendi  a ler e quando passei de ano ganhei da minha professora meu primeiro livro, cheio de letras: o Caranguejo Bola, com capa dura cor de rosa e algumas ilustrações. Infelizmente o perdi, uma lástima isso... Adoraria ter esta recordação da professora que me ensinou a ler.  

Acho que foi pelo exemplo do meu pai e esta biblioteca tão maravilhosa pertinho da minha casa que adquiri o gosto pela leitura, todo bairro deveria ter pelo menos uma sala de leitura para as crianças frequentarem, com certeza isso faria muita diferença na vida de muitas... E olha que no meu tempo os livros nem eram assim tão lindos como os de hoje, cheios de ilustrações maravilhosas e histórias bem escritas, mesmo assim para mim aquela época foi um marco decisivo em minha vida.

Não me canso de dizer o quanto sou feliz por ser bibliotecária, o quanto sou feliz por gostar de livros, de ler... Só tenho a agradecer.

Gostaria muito de poder ir um dia novamente à esta Biblioteca no Tatuapé, descobrir se ainda tenho cadastro lá (risos). 

Seria muito bom, matar esta saudade, mas enquanto esse dia não chega... Agradeço e abençoo este lugar que tanto alegrou minha infância: a Biblioteca Pública do Tatuapé, hoje Prof. Arnaldo Magalhães Giácomo.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Um Francisquês para 2013!

Este ano foi muito produtivo também. Novamente, vivi muito, trabalhei muito, andei muito de bicicleta, amei muito (todos vocês), tive muita PACIÊNCIA. Como tive!
2012 foi um ano cheio de emoções: casamos os encalhados (né Iza?!), a vovó ressuscitou e colecionei VITÓRIAS, segundo meu pai (kkkkk, mas ele é meio suspeito, né?!),
 AH E JÁ IA QUASE ME ESQUECENDO!!! Ganhamos um Fusca vermelho!!!
E o milagre: conseguimos comprar um lote lááááá em S. Roque!! Um pedaço do céu, (ou do Celso, como queiram!). E para fechar o ano com chave de ouro: o Celso ganhou um joelho novo!
Mas, este ano quem aprendeu mais aqui em casa foi o Fran, aprendeu muitas palavras... (que a Dra. Cíntia, nunca leia isso, rsrsrsrs), mas vejam com seus próprios olhos! Já dá para montar um glossário, um Francisquês! 
Vou publicar aqui para auxiliar quando o levarem para passar o dia com vocês!
 Kiko Meia Kuti = Nome dele completo
Bigbuc = Facebook
Gamocê = Amo você
Pupa = Desculpa
Culo= Escuro
Ponhão  = Pião
Migos = Amigos
Colinha = Escolinha
Cucu = Suco
Cucu quem = Leite quente
Cucu Xi  = Suco de abacaxi
Mel = mingau
Cojo = Miojo
Cocoito = Biscoito
Catafita = Batata  frita
Guiça = Linguiça
Vovu = Ovo
Ati = Chocolate
Ninim =  danoninho
Guero - Dinheiro
Méda = Moeda
Zão = televisão
Pabói  = Caubói
Pabóia  = Caubói (moça)
Arvi tal  = Árvore de natal
Gugas ninja= Tartarugas ninjas
Omi Ferro = Homem de Ferro
Xôquito = mosquito
Pê pipe= Pequeno Príncipe
Caco Botas = Gatos de Botas
Pinguis Macujá = Pinguins de Madagascar
Mimimi – Backyiardigans
Cocoi = Pocoyo
Tatitatá = Patati Patatá
Inhaim = Aranha
Seo Má – S. Ademar
Izi  = Luzia
Mina = Marina
Bebelos = Cabelos
Guedi = Band Aid
Vovó Guida = Vovó Margarida
Móla = Mariola
Papai quel = Papai do céu
Mamãe quel = Nossa senhora

Frase mais usada: foi mi ímã = foi minha irmã (muito injusta por sinal, rsrsrs)
Frase mais difícil:có inhaim mãe, quá meu = Óculos do aranha mãe, no meu quarto.
DESEJO UM 2013 CHEIO VELHAS MAS, IMPORTANTES PALAVRAS: 
AMOR, SAÚDE, PAZ E FÉ!  E COMO DIZ O FRANCISCO:

FILIZ DIA OVO!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O mundo melhor com o qual nós tanto sonhamos, depende somente de nós



A cada dia que eu vivo, percebo que se não for pelo sofrimento e por muito empenho de pessoas realmente preocupadas com seus semelhantes, que o mundo não vai mudar. Ao longo dos anos houveram "progressos", mas muitas outras tristezas de porte e níveis diferentes surgiram, criando novos desafios para dificultar nossa evolução.

Antigamente usavam-se os termos racismo, xenofobia, ditadura e autoritarismo. Hoje se fala: preconceito, bullying, assédio moral, corrupção, perseguição política... Mudam-se o termos, mas os mesmos sofrimentos perduram, percorrendo quilômetros, tomaram novas formas, proporções agora virtuais e mundiais, parecendo na verdade que continuamos os mesmos de sempre... Só nos modernizamos na etimologia.

Jesus para mim foi o maior homem que existiu entre nós, o maior “marqueteiro” e o maior exemplo de amor que poderíamos ter recebido. Pela grandiosidade de sua simples existência, deveríamos ter nos tornado muito melhores do que hoje somos. Porém, em alguns momentos quando olhos nos olhos dos homens, vejo o quanto eles ignoram o sacrifício que ele fez para nos mostrar o verdadeiro sentido da vida. Os seres humanos tem medo... Mas não tem vergonha...

Depois Dele, na história da humanidade inúmeras outras pessoas trilharam os caminhos de renúncia através de lutas em prol de maiorias sofridas e desamparadas. Se fizermos um estudo, que não precisa nem ser profundo, descobriremos que quase 100% dos hoje considerados "grandes personagens" da nossa história, antes eram pessoas que por mais boas e engajadas que fossem, não eram reconhecidas, nem respeitadas.

Não foram valorizadas, passaram por humilhações e sofrimentos diversos e infelizmente, alguns somente após sua morte é que tiveram seus ”feitos” reconhecidos. Ninguém que fez o BEM, teve “tapete vermelho” para caminhar, pelo contrário, o caminho das pessoas dedicadas à fazer o bem quase sempre era em meio a espinhos, Jesus que o diga... E Pitágoras também afirma: “Os homens são miseráveis, porque não sabem ver, nem entender os bens que estão ao seu alcance.”

Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, Luther King, Mandela, Irmã Dulce, Chico Xavier entre outros, foram pessoas maravilhosas e exemplos fiéis de que "uma pessoa do bem" geralmente é tímida, humilde, não se impõe, é pouco valorizada e o que é o principal: quase sempre tem (aos nossos olhos) um fim triste, sendo isso mais um exemplo de como o ser humano é incapaz de enxergar tudo que realmente tem valor na vida. 

Hoje mesmo existe um homem no Brasil, o Ministro Joaquim Barbosa, que está sendo considerado um herói. Eu particularmente o admiro e também o vejo com estes olhos, mas olhando friamente ele nada mais é, do que um ser humano que no exercício de sua profissão tem tomado as atitudes que qualquer outra pessoa ou profissional ético deveria tomar. 

Só que para nós de uma maneira geral, isto é tão incomum que acabamos por endeusar pessoas que na verdade estão só e unicamente fazendo o que é correto e seu dever. O ministro é um exemplo sim, de que uma pessoa obstinada, que tendo sólidas raízes e uma bagagem repleta de princípios e valores, pode chegar onde quer que queira, bastando apenas dedicação e coragem para persistir nos sonhos e no caminho do BEM. Ele não é um herói, mas sim um homem de bem... Mais um exemplo a ser seguido.

Falar sobre os Negros, sobre racismo, preconceito hoje já é algo tão “batido”, tanto se fala, fala, vemos transformações, mas bem lá no fundo muitos digo, grande parte, carrega ainda um certo negativismo lá “embaixo dos panos”, escondido claro, para ninguém perceber, mas na verdade carrega...

É muito fácil falar mal dos negros hoje, colocar neles a culpa pelas tragédias das periferias, acusá-los  por mal comportamento, por serem pobres, se tornarem criminosos e macular “nossa sociedade”, mas olhando para dentro de nós mesmos, olhando para nossa história veremos que somos os culpados por grande parte da infelicidade que até hoje muitos dos nossos irmãos negros vivem.

Os Africanos foram trazidos para nosso país contra sua vontade, em condições subumanas, eram forçados a trabalhar em nossas propriedades, realizando nossos caprichos, sem contar as demais atrocidades pelas quais os fizemos passar.

Aí em algum momento da história  do Brasil algumas poucas “pessoas de bem” passaram a se mobilizar e a lutar pelo abolicionismo, tentando por fim de uma vez por todas em nosso país nesta prática tão odiosa.

Fico me perguntando como pessoas cultas, ricas e informadas podiam achar “normal” escravizar outros seres humanos, diferentes deles somente na etnia e na nacionalidade. Com o abolicionismo, chegou ao fim no Brasil uma escravidão que durou longos 358 anos! Podem imaginar tamanha aberração? Gerações e gerações sofrendo do dia  em que nasceram até a morte, sem que ninguém fizesse nada por eles...

Finalmente quando foi assinada a Lei Áurea, esta triste página da nossa história teve fim e chegou o momento de finalmente nós brasileiros fazermos algo em prol dos nossos irmãos negros, brasileiros como nós, como agimos? Acho que pior ainda...

Os negros foram jogados para fora das propriedades dos seus "donos", sem direito a nada, sem apoio algum, relegados a sua própria sorte, passando a vagar pelas ruas, precisando roubar e mendigar para conseguir viver... 

Dessem naquela época, para cada um deles, 100m2 de terra para vermos o que teria acontecido. Nosso país é enorme, eles teriam trabalhado, o que fizeram por gerações e gerações para os outros, teriam tido como recomeçar suas vidas de forma digna e honrada, que era merecido após 358 anos de trabalho escravo. 

Talvez hoje não teríamos tantas culpas para carregar. Porque somos sim, culpados, pela situação muitas vezes desfavoráveis em que os negros brasileiros estão. Tudo melhorou muito, mas ainda há muito a melhorar e tenho certeza do que digo, porque se assim não fosse, não eram necessárias leis, cotas e nenhum outro tipo de mecanismo legal para garantir direitos aos negros.

Para nos ensinar a viver e nos mostrar o caminho do bem muitos, sejam negros ou brancos, mulheres e homens foram humilhados publicamente, ridicularizados, desvalorizados e alguns precisaram entregar as próprias vidas para somente então serem vistos e ouvidos. Os seres humanos se dizem tão “evoluídos e modernos”, mas ainda nos dias atuais são incapazes de respeitar questões éticas mínimas, que fazem parte do nosso dia a dia.

Às vezes apontamos o nosso dedo para o vizinho do lado e não enxergamos o próprio umbigo, falamos mal de um colega de trabalho e não somos capazes nós mesmos de nos concentrar e concluir nossas próprias atividades. Furamos filas, não devolvemos celulares que encontramos na rua, muitos quando acham dinheiro, nem sequer pensam em procurar o dono. Quem porventura acha e devolve também é considerado “herói”, quando na verdade nada mais é do alguém fazendo o que é correto, o que todos nós por conhecimentos, informações e conduta moral reta, deveríamos fazer... E isso não é ato heroico, mas sim conduta de vida.

É muito triste ver o que ainda somos capazes de “não fazer”, porque o que somos capazes de fazer é visto facilmente em qualquer esquina. Hoje em dia é muito mais fácil fazer o mal do que fazer o bem...

A bondade é muito tímida e medrosa, o mau é gigante e infelizmente corajoso. O poder e o dinheiro dão coragem e intimidam os bons que permanecem encolhidos e melindrados, com medo do que possa acontecer com suas vidas já tão combalidas. È o bom e velho "manda quem pode, obedece quem tem juízo."

As pessoas precisam aprender que quem trilha o caminho do bem, nunca consegue nada com facilidade, pelo contrário, facilidade só existe para quem busca o caminho mais curto, o da vantagem e da desonestidade, mas ainda que mais difícil: como é bom ser bom! Cito aqui outra frase de PitágorasAnima-te por teres de suportar as injustiças, pois a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.” 

Seja em que circunstância for, ser bom por escolha própria e também aos olhos de Deus será sempre o melhor caminho, mesmo que ao seu redor, ninguém pense assim...