Tenho visto muitos posts no face comentando o ocorrido com o garoto que
perdeu seu braço. Não sei se tenho este direito, mas senti vontade de
escrever, venho pensado muito no que aconteceu, tenho filhos e não
consigo nem imaginar o tamanho da dor que eles devem estar sentido...
As pessoas, falam, comentam, julgam, condenam sem saber direito o que estão falando,
as informações vão surgindo como em uma cascata, mas sabemos que numa
situação como esta, todos veem tudo enquanto é coisa, se aumenta, se
inventa, acrescenta e se não estávamos lá para ver todos acontecimentos
com nossos próprios olhos, como podemos tirar conclusões e fazer
afirmações?
Eu já soube de tantas coisas difíceis que
aconteceram com crianças, acidentes domésticos, acidentes escolares nos
quais crianças foram machucadas, adultos passaram aperto, os pais susto,
medo, coisas horríveis que aconteceram em piscar de olhos...
Há uns tempos houve a história de uma garotinha picada por uma cobra que
ficou em coma e quase morreu, os pais a abandonaram para ser picada?
Uma vez uma pessoa muito querida minha, deixou cair de cima da mesa um
bebê pequeno com o moisés e tudo, caiu de cara no chão...
Ela
quase morreu de susto, a criança bateu com força seu corpinho, chorou
muito, poderia ter sido grave, mas graças a Deus os anjos protegeram e
não aconteceu nada de maior gravidade... Essa pessoa foi negligente? E
as crianças esquecidas dentro de carros? De quantas já ouvimos falar?
Seus pais as esqueceram... Por que as amavam pouco? Não eram
responsáveis? É fácil tirar conclusões, mas não deve ser nada fácil SER
ELES.
Tenho um amigo que adorava, lembro-me dele dirigindo aos
13 anos, eu mesma andei de carona com ele ao volante, menor de idade e
sem carteira de motorista... Seus pais permitiam e eu os conheci,
convivi com eles... Eram pessoas maravilhosas, o amavam com loucura. Ele
era um jovem impetuoso, bonito e cheio de vida, mas não tinha medo!
Três meses após tirar sua habilitação morreu em um acidente. Numa
história assim poderíamos facilmente dizer que os pais foram negligentes
e que a culpa maior foi deles, não educaram! Mas será mesmo que foi? Eu
não consigo pensar assim...
Não quero com meus escritos
defender negligências, tão pouco minimizar a responsabilidade de quem
estava a volta e também viu o que acontecia e não agiu como a situação
pedia... Tem momentos em que parece que somos dopados, anestesiados...
São os famosos "5 segundos de bobeira"...
Eu falo por mim, que
me empenho 24 horas por dia para educar meus filhos e nem sempre consigo
obter os resultados necessários, que sonho ou desejo! Isso não ocorre
porque não me esforço, não faço minha parte ou não tenho
responsabilidade e cuidado com eles, mas sim porque somos todos HUMANOS,
cheios de DEFEITOS e as crianças de hoje não são mais como as de
antigamente que só um olhar nos transformava em estátuas de sal... Hoje
há dias em que você explica, fala, pede e mesmo assim o filho teima,
teima e teima!
São tempos muito difíceis estes que vivemos e
nós que temos um pé em um século passado e a vida em outro, muitas vezes
nos encontramos perdidos em redemoinhos como este que aconteceu na vida
deste pai.
O que quero dizer é que infelizmente este tipo de
situação pode acontecer COM QUALQUER UM e nem sempre é porque as pessoas
são irresponsáveis ou não cuidaram o suficiente do ente querido, ou
foram inconsequentes, mas sim porque são situações que fazem parte do
nosso destino, da nossa vida, não é questão de livre arbítrio, falta de
comprometimento e responsabilidade, mas sim daquilo que temos traçado em
nossa caminhada.
Às vezes são nas situações de extrema
desgraça e infelicidade que o ser humano se transforma e muitas vezes a
vida tem mostrado que a transformações mesmo que assustadoras, também
vem para o bem, para o aprendizado para a evolução... O ser humano tende
a se acomodar na zona de conforto e se acomodando não cresce, não
aprende, não evolui, estagna.
Achei muito bonito da parte de
uma mãe em uma reportagem que assisti em que contavam o acidente em que
ela teve as duas pernas amputadas e ela lutava para superar as
dificuldades e se recuperar, ao ser perguntada se não estava triste por
ter perdido as pernas e não poder mais andar normalmente, ela respondeu:
que perna, que nada! Eu estou feliz por estar viva e poder continuar
junto dos meus filhos, da minha família!
Eu tive um amigo que
teve paralisia infantil. Ele tinha inúmeros irmãos, moravam no Amazonas
acho... Me contou que devido a quantidade de filhos eles acreditam que a
mãe se atrapalhou e um dos irmãos tomou uma dose de vacina a mais e ele
uma a menos... Acabou tendo pólio e teve a vida completamente mudada.
Sua doença fez os pais se mobilizarem, saírem do meio do mato onde
moravam e vieram para São Paulo em busca de melhores condições para ele
viver. Com isso toda família mudou seu destino. Acho que talvez ele não
pensasse desta forma, mas quando ele me contou sua história eu pensei:
talvez... Talvez... Se nada tivesse acontecido com ele, a família toda
teria ficado a vida inteira no fim do mundo e sabe-se lá o que poderia
ter acontecido, pois muito progresso na vida deles, foi decorrente da
doença do meu amigo que obrigou a família a migrar para uma cidade com
condições melhores.
Ninguém que tem amor no coração, que é pai,
mãe, quer o sofrimento de um filho! Ninguém quer! Queremos só amar,
desejamos só o bem para nossos filhos. Muitas vezes na ânsia fazê-los
felizes damos asas demais, outras vezes, por medo do que pode acontecer,
impedimos seu voo, ceifando suas asas...
Atire a PRIMEIRA
PEDRA, os que têm ou não filhos e têm certeza que nunca erraram e que
nunca vão errar... Vão fazer sempre tudo certo e seus filhos serão
perfeitos e educados.
A mim me dou somente o direito de orar e
vibrar esperança e fé pelo amigo, pelo seu filho e sua mãe, espero que
consigam superar a dor, espero que consigam transformar esta provação em
suas vidas em algo extraordinário, em algo que veio não só para trazer
tristezas e dor, mas sim em algo que aconteceu para abrir novos
caminhos, novas possibilidades e novos horizontes e que não percam nunca
o amor, a fé e a coragem que precisamos para prosseguir.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
12 de março: dia do Bibliotecário e da Biblioteca nossa de cada dia
Sou Bibliotecária há dez anos destes, oito atuo em Biblioteca Pública. Desde a faculdade era o que desejava, porque tinha consciência da importância que este tipo de biblioteca tem para a comunidade onde está inserida. Sempre leio sobre a necessidade de modernização e ampliação do número de Bibliotecas Públicas no Brasil e estas questões me fazem pensar...
Antes de chegar aqui, não tinha experiência alguma e o pouco
que recebi foram informações muito negativas vindas de colegas que já atuavam
nestas unidades e também dos próprios professores. Na época que estudei, a
faculdade não dava muito ênfase aos conteúdos voltados para profissionais
atuarem em Bibliotecas Públicas.
Mesmo assim meu ideal profissional prevaleceu e quis dar
minha contribuição. Hoje após todos estes anos percebo que na realidade o
problema não é a Biblioteca Pública em si, mas sim as pessoas ou setores que as
conduzem dentro do sistema administrativo em que ela está inserida, o que quero
dizer com isso? Que trabalhar em Biblioteca Pública pode ser sim muito bom! Na
verdade precisamos de dois fatores somente para ter sucesso, muito simples, mas
muito difíceis de alcançar: apoio e respeito.
Vejo que o poder público principalmente nas pequenas cidades
(que são a maioria) não valoriza a Biblioteca Pública e faz muito pouco ou
nada, para criar condições propicias que incentive o hábito da leitura na
população. Não fosse o trabalho realizado pelas escolas e professoras aqui, por
exemplo, se dependesse só da Biblioteca Pública haveria um cemitério de
leitores.
Pelas experiências que vivi nos últimos anos e que acredito,
sejam bem parecidas na maioria dos municípios brasileiros, penso que a única
forma de tornar a Biblioteca Pública um setor realmente produtivo e relevante é
dar autonomia legal para que ela
desempenhe seu papel junto à sociedade. Tirar das mãos dos políticos e das
prefeituras e dar para associações, grupos de pessoas interessadas juntamente
com profissionais formados em biblioteconomia a autonomia para trabalhar,
planejar e agir de acordo com demanda existente.
Criar leis que obriguem a destinação de verbas anuais de
acordo com o tamanho da população e fazer com que os profissionais que atuam
nestas bibliotecas simplesmente prestem contas exatas dos recursos utilizados e
resultados alcançados. E assim, oferecer serviços informacionais de qualidade e
realizar as atividades necessárias, sem estar constantemente “mãos estendidas”
implorando.
No geral a rotina das Bibliotecas Públicas inclui: não ter
verba oficial, não receber apoio para executar melhorias estruturais e físicas,
não ter incentivo para projetos, não comprar livros, o que sempre existe são alguns
poucos funcionários para atender os frequentadores e organizar o ambiente.
Livros novos são poucos e quando são comprados, é com dinheiro de multas.
Sou Bibliotecária formada, concursada e atuo em uma Biblioteca
Pública onde não tenho autonomia para fazer nada, não tenho direito a opinar,
não sou ouvida, não sou consultada e fazem o que querem da Biblioteca
Municipal, tenho de ver e ouvir passivamente tudo que decidem fazer sem poder
intervir ou, evitar que falhas graves sejam cometidas.
Enquanto as Bibliotecas Públicas viverem sob o poder das
administrações de visão restrita e limitada a interesses políticos, não haverá
possibilidade de mudança da realidade em que elas estão inseridas e como sempre,
o maior prejuízo fica para a sociedade. Não sei se a criação de leis que
obriguem as prefeituras apoiarem, talvez tornar todas as Bibliotecas Públicas
legalmente constituídas em órgãos federais, não sei se propiciar autonomia e
ação de trabalho para os Bibliotecários pode mudar isso, mas o fato é que
enquanto as Bibliotecas estiverem a mercê de política e administrações públicas,
elas dificilmente sairão desta escuridão em que se encontram.
Só um exemplo: está para ser desativado onde trabalho um
software de primeira linha, que conseguimos com muito empenho adquirir e é de
propriedade da Biblioteca. A informatização do acervo este ano entrou em fase
final, pois há quatro anos trabalhamos com este sistema que é excelente e
atende com eficiência as necessidades da biblioteca, dos leitores, mas enfim vai
ser substituído.
Será desativado, por motivações externas que envolvem, além
de outros fatores, o gasto de R$ 190,00 por mês que a prefeitura
acredita ser desnecessário, haja vista que a atual empresa que ganhou a
licitação possui um “módulo” para bibliotecas que pode ser utilizado ou seja, não
há preocupação com o trabalho executado até este ano, com o fato do novo
software ser inferior, com os gastos feitos até o momento para o atual sistema
funcionar (suporte e todo material utilizado nestes quatro anos), não há preocupação
se haverá qualidade realmente nos serviços prestados. Com afirmações pouco
consistentes, tentam nos convencer de uma mudança que não tem como ser positiva
nem para a Biblioteca, tão pouco para os leitores.
Conclusão, de volta ao início: se o poder público deseja
qualificar as Bibliotecas Públicas, criar novas, aumentar seus resultados e
criar políticas de leitura, em primeiro lugar precisa fazer com que as Bibliotecas
Públicas tenham seu valor, seus direitos reconhecidos e respeitados porque modernizar
e multiplicar bibliotecas, formar profissionais para atuarem de forma
eficiente e correta, mas que em seus ambientes de trabalho são obrigados a
fazer e aceitar tudo que é errado, não nos ajuda em nada, só perpetra a situação
atual em que trabalhamos: à base de milagres e orações.
Sem apoio real, concreto e relevante, nada mudará. Espero com
minhas palavras estar contribuindo de alguma forma e que o pequeno ponto de luz
que eu teimo em manter acesso, apesar de todas as adversidades, possa se unir a
vários outros e, fortes, iluminarmos a vida daqueles que precisam da luz do
conhecimento.
Sandra Küster, Bibliotecária
por vocação há 10 anos
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Para meus amigos e amigas, com todo meu amor!
Estava
assistindo a um vídeo sobre os cinco maiores arrependimentos que as
pessoas têm antes de morrer. O quarto é "gostaria de ter mantido contato
com meus amigos". Isso tocou fundo em meu coração...
Pois é, a reviravolta drástica que fiz há alguns anos quando
mudei de vida, mudei de cidade emprego, entre outras coisas, me fez enxergar
tantos detalhes que antes passavam desapercebidos ...
Eu vivi tantos anos em São Paulo e antes mesmo de me mudar, deixei
tantas pessoas perdidas para trás, quando eu ainda estava lá, tão perto. Então
me pergunto: por quê será que estas coisas acontecem? Meio estranho pensar
nisso...
Minha cabeça vive povoada de recordações e as pessoas vão
voando pela minha mente num tumulto enorme de sentimentos, tristezas, alegrias,
elas vem e vão, trazendo cada uma sua história, minha história, nossa história.
São tantos amigos, é tanta vida que eu me pergunto: Como
cabem tantas vidas em mim? Com tantas pessoas caminhei, aprendi, vivi, sorri,
briguei, quanto caminhei.
Na infância as crianças da minha rua, aquelas com as quais
cresci, me misturei, nos misturamos em nossas famílias, cada um na sua casa,
todos juntos na mesma história, na mesma brincadeira, no mesmo futuro infinito.
Éramos todos tão pequenos, tão pouco sabíamos do que ia nos acontecer, da
distância que um dia teríamos uns dos outros, o quanto seríamos estranhos, é
uma pena... Uma pena viver sem saber que um dia estaríamos tão longe e haveria tanta saudade.
Na juventude, aquela loucura do viver! De viver tudo, a todo
instante, a cada minuto, o tempo todo, sem pensar, sem preocupar, só viver. São
tantos risos e tantas lágrimas, crescer dói. Aprendemos juntos, que a morte e
vida andavam muito perto. Sofremos, crescemos, vivemos.
Tive amigos e amigas tão especiais, tive tanta sorte nesta
vida...
Às vezes, já disse isso antes... Só algumas vezes, me
esqueço de quem sou, fico brava, brigo com Ele, faço cara feia, choro de raiva.
Quero mais, acho tudo pouco. Quanta ingratidão.
Estudei numa escola privilegiada, repleta de pessoas
criativas, cheias de vida e energia, que não se conformavam com a vida comum,
estudavam e davam cores ao mundo. Artistas.
Fiz tantos amigos nos lugares que trabalhei, conheci tantas
coisas por eles, pelas mãos e pelos carinhos deles, vivi tanto, sonhei tanto,
sorri tanto. Tanto do que sou hoje, devo a tantas pessoas que passaram pela
minha vida, tão sutilmente, tão delicadamente que eu nem percebi... E se foram,
mas deixaram um pouco deles em mim.
Sendo assim, como posso reclamar eu da vida? Me sinto tão
rica em momentos como este, que consigo me despir de mim mesma e passo em
palavras o que tenho em meu coração.
Quantas pessoas que vivem neste mundo, nascem já sozinhas,
vivem suas dores sozinhas e muitas vão morrer também sozinhas.
Eu não... Eu tive muitos
amigos!
Com eles cresci, com eles vivi, com eles parti em busca dos
sonhos. Quisera eu ser recordada por algum deles, em algum momento bom, me
sentiria mais repleta ainda. Então deixo aqui esta frase, muito linda, que descreve bem meu
sentimento hoje, para todos vocês:
“a felicidade aparece para aqueles que reconhecem a
importância das pessoas que passam em sua vida.”
sexta-feira, 24 de maio de 2013
A Bibliotecária e a estrada de terra
“Quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado”
Este ano atuei por três meses, na zona rural de Venda Nova,
na localidade do Caxixe, com esta experiência me dei conta do quão importante e
necessária pode ser nossa atuação como profissionais da informação e da leitura.
Confesso que não tem sido fácil o caminho escolhido. Trabalhar em bibliotecas públicas no Brasil muitas vezes é sinônimo de “grandes dificuldades”. Nosso país apesar de já ter dado passos largos nos últimos anos em prol da educação e da formação de leitores, infelizmente não alcançou o patamar desejado e ainda há muito trabalho a fazer.
Confesso que não tem sido fácil o caminho escolhido. Trabalhar em bibliotecas públicas no Brasil muitas vezes é sinônimo de “grandes dificuldades”. Nosso país apesar de já ter dado passos largos nos últimos anos em prol da educação e da formação de leitores, infelizmente não alcançou o patamar desejado e ainda há muito trabalho a fazer.
Do ônibus que me levou para o trabalho, observava paisagens
e ao mesmo tempo, as crianças e professoras. Elas, guerreiras corajosas e
cheias de garra, educadoras com um longo caminho a percorrer em estrada de
terra onde o ônibus as sacudia junto com alunos sorridentes e barulhentos já
sonhando com as primeiras letrinhas escritas.
É muito gratificante ver que apesar de todas as dificuldades,
muitos têm a coragem e o calor na alma que impulsiona para o futuro melhor,
pois estudando, dominando a leitura e a escrita terão oportunidades melhores. Dizem
que o brasileiro “não gosta de ler”, mas eu me pergunto sinceramente: o
brasileiro não gosta de ler ou, o brasileiro não teve durante décadas e décadas
acesso democrático aos livros?
O bibliotecário tem um importante papel a desempenhar como
“agente de transformação”, mas infelizmente a sociedade além de não reconhecer
este profissional, também desconhece seus talentos, sendo comum comentários do
tipo: Precisamos realmente de um Bibliotecário? Para quê ele serve? Nossa!
Existe curso superior de Biblioteconomia?
O antigo mito do “Bibliotecário mal humorado, guardião dos
livros” ainda resiste em muitos lugares do Brasil e faz com
que se tenha uma idéia deturpada da realidade que é a do
profissional atualizado, pró-ativo, eficiente e engajado no processo da
construção de uma nação leitora.
A sociedade precisa se conscientizar da importância das
bibliotecas no processo de ensino e os benefícios que oferece para os que
buscam nela o conhecimento. Os profissionais precisam se reciclar, mudar sua
postura, repensar suas práticas, se tornarem mais humanos, pró-ativos e menos
tecnicistas.
Na era digital é preciso que a informação seja encontrada
com precisão e eficiência, avaliada e disseminada para os que precisam e assim,
absorvida e compreendida, se tornar conhecimento. Este é o caminho traçado com
qualidade e eficiência e só assim, haverá progresso e evolução, porque
informação compreendida e disseminada é poder adquirido.
Informação estagnada, apertada em prateleiras de estantes,
onde o público não é cativado e incentivado para consultar não serve para nada.
Somado a isso se o profissional também não tem carisma e amor pelo que faz, a
única coisa que se conseguirá transmitir é o vazio da ignorância.
O conhecimento que vem pelo domínio da leitura é uma arma
poderosa e invencível, contra o analfabetismo, contra a ignorância, contra a
falta de perspectivas e principalmente contra a falta de esperança num futuro
melhor, mais digno.
O professor que lê, será um bom formador de leitores, pais
que leem formam filhos leitores, um governante que lê e valoriza a leitura, com
certeza está se preocupando com o futuro das suas crianças. Um Bibliotecário
que trabalha com o coração e se empenha na busca por uma biblioteca eficiente e
ativa está trabalhando em prol do progresso, pois um povo leitor, certamente
será mais esclarecido, mais crítico e menos manipulável, consequentemente, mais
iluminado.
A luz que brilha nas mãos dos Bibliotecários, precisa ser
mais forte e mais ardente, caso contrário se tornará só uma vela , fraca e sem
brilho, no fundo de um túnel escuro e sem volta.
(Texto publicado na Tribuna Livre do Jornal A Tribuna do dia 10/12/2010)
O pão da alma...
Na
sua dura infância, quase não frequentou a escola, só aprendeu a ler e a
escrever.
Isto, porém não fez dele um homem de pedra pelo contrário, ele é etéreo e tudo que sou é graças à ele e toda sua sabedoria, conquistada lendo por conta própria um universo de livros que eu formada, não sei se um dia conseguirei ler...
Isto, porém não fez dele um homem de pedra pelo contrário, ele é etéreo e tudo que sou é graças à ele e toda sua sabedoria, conquistada lendo por conta própria um universo de livros que eu formada, não sei se um dia conseguirei ler...
Eu
estava no primeiro ano do "primário" quando um dia ele resolveu
construir uma escrivaninha embaixo de uma grande árvore que havia no quintal
de casa, me disse assim: é para você estudar...
Quantas
tardes eu passei ali naquele agradável recanto de luz e sombra amena. Nas
leituras difíceis eu ia sorvendo minhas primeiras vitórias.
Quanto
amor brotou deste simples gesto, quantos laços e nós indissolúveis se fizeram
nestes momentos em que junto dos livros, aprendíamos também que a vida poderia ser
boa e diferente sim, porque os livros lidos com certeza iam tornando-a mais
feliz, mais leve e mais completa.
Acho
que na verdade ele só queria agradar e tudo que fez por nós toda sua vida, fez
por amor. Mas no fundo quem ganhou mais fui eu. Ganhei cada dia mais paixão e
amor pelos livros e hoje esta paixão se tornou também minha profissão, sou
bibliotecária.
Tenho
boas recordações da minha infância simples e feliz em São Paulo, cresci vendo
meu pai com livros nas mãos e assim, silenciosamente ele foi me ajudando a
traçar meu caminho. Me ensinou que cuidando da vida, mesmo que seja com um gesto
simples, um livro lido, o futuro pode ser muito diferente, muito melhor...
Ele
cuidou de mim e hoje com meu trabalho, posso cuidar de outras crianças também.
A leitura é assim mesmo.. Silenciosa, solitária, mas quanto nos diz, quanto nos
ilumina, quanto nos alimenta.
Obrigada
pai, pelo pão que também nunca faltou para minha alma.
(Escrevi este texto há 2 anos atrás...)
(Escrevi este texto há 2 anos atrás...)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
A Biblioteca do Tatuapé
Hoje está sendo um dia de muito saudosismo para mim, a
saudade é tanta que chega a apertar o peito.Recordo do pai, sentado no muro da Santista lendo enquanto eu andava de velocípede em plena Salim Farah Maluf, o caminhar calmo, segurando a mão da minha mãe todos os dias de manhã, para não chegar desarrumada à escola e à tarde virando cambalhotas na grama. O bar do "seu Antônio", meu amigo Ricardo, o Beco, o casario antigo, minha vó, as árvores e o balanço no nosso quintal...
As lembranças da infância e os acontecimentos que envolviam meu dia-a-dia de criança chegaram tão fortes hoje que chego a ficar com lágrimas nos olhos de recordar coisas que o tempo levou e nunca mais voltarão..
A Avenida que por tantas vezes atravessei e na qual olhava de um lado para o outro do portão para ver “se meu pai estava na esquina”. É, quando eu começa a perturbar muito, ele me mandava ver se ele “estava na esquina” e eu que morava numa rua particular, lá no fundo, saia correndo igual tonta, para ir até o portão “verificar onde meu pai estava...E o pior, voltava e dizia para ele: “Não está não pai!”.
Estudei o todo pré na Emei Mary Buarque e quando minha mãe demorava a vir me buscar (nós ficávamos sentados na entrada da escolinha, aguardando nossas mães) eu fugia do pátio e corria para a biblioteca que tinha uma entrada lateral por dentro da escolinha. Minha mãe até sabia, se não me via no pátio, era porque tinha escapado da fila e estava na biblioteca...
Tinha uma salinha de leitura com estantes baixas e livros sem ordenação que podiam ser lidos livremente, para mim era o máximo... Adorava ver os livros, só olhava, porque ainda não sabia ler.
Esta biblioteca para mim era mágica, tinha um hall e nele várias portas que davam para inúmeras salas, aconteciam atividades. O chão era de madeira brilhosa, tudo tão lindo e organizado e o melhor: eu tinha um cartão de empréstimo de livros! Me sentia o máximo!
Depois fui para a Escola Arthur Azevedo ao lado, estudei nesta só um ano, mas tenho tantas recordações.
Da professora Cecília, das escadarias da escola que descíamos de bumbum, do pátio onde todos alunos reunidos em filas cantavam antes de entrar na aula o hino nacional. Usávamos um uniforme bonito: saia de pregas, camisa branca, sapatos de fivela e meias até os joelhos. Era engraçado...
Foi nesta escola que aprendi a ler e quando passei de ano ganhei da minha professora meu primeiro livro, cheio de letras: o Caranguejo Bola, com capa dura cor de rosa e algumas ilustrações. Infelizmente o perdi, uma lástima isso... Adoraria ter esta recordação da professora que me ensinou a ler.
Acho que foi pelo exemplo do meu pai e esta biblioteca tão maravilhosa pertinho da minha casa que adquiri o gosto pela leitura, todo bairro deveria ter pelo menos uma sala de leitura para as crianças frequentarem, com certeza isso faria muita diferença na vida de muitas... E olha que no meu tempo os livros nem eram assim tão lindos como os de hoje, cheios de ilustrações maravilhosas e histórias bem escritas, mesmo assim para mim aquela época foi um marco decisivo em minha vida.
Não me canso de dizer o quanto sou feliz por ser bibliotecária, o quanto sou feliz por gostar de livros, de ler... Só tenho a agradecer.
Gostaria muito de poder ir um dia novamente à esta Biblioteca no Tatuapé, descobrir se ainda tenho cadastro lá (risos).
Seria muito bom, matar esta saudade, mas enquanto esse dia não chega... Agradeço e abençoo este lugar que tanto alegrou minha infância: a Biblioteca Pública do Tatuapé, hoje Prof. Arnaldo Magalhães Giácomo.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Um Francisquês para 2013!
Este ano foi muito produtivo também. Novamente, vivi
muito, trabalhei muito, andei muito de bicicleta, amei muito (todos vocês), tive
muita PACIÊNCIA. Como tive!
Frase mais usada: foi mi ímã = foi minha irmã (muito injusta por sinal, rsrsrs)
Frase mais difícil:có inhaim mãe, quá meu = Óculos do aranha mãe, no meu quarto.
DESEJO UM 2013 CHEIO VELHAS MAS, IMPORTANTES PALAVRAS:
AMOR, SAÚDE, PAZ E FÉ! E COMO DIZ O FRANCISCO:
2012 foi um ano cheio de emoções: casamos os encalhados
(né Iza?!), a vovó ressuscitou e colecionei VITÓRIAS, segundo meu pai (kkkkk, mas
ele é meio suspeito, né?!),
AH E JÁ IA QUASE ME ESQUECENDO!!! Ganhamos um Fusca vermelho!!!
E o milagre: conseguimos comprar um lote lááááá em S. Roque!! Um pedaço do céu, (ou do Celso, como queiram!). E para fechar o ano com chave de ouro: o Celso ganhou um joelho novo!
Mas, este ano quem aprendeu mais aqui em casa foi o Fran, aprendeu muitas palavras... (que a Dra. Cíntia, nunca leia isso, rsrsrsrs), mas vejam com seus próprios olhos! Já dá para montar um glossário, um Francisquês!
Vou publicar aqui para auxiliar quando o levarem para passar o dia com vocês!
Kiko Meia Kuti = Nome dele completo
AH E JÁ IA QUASE ME ESQUECENDO!!! Ganhamos um Fusca vermelho!!!
E o milagre: conseguimos comprar um lote lááááá em S. Roque!! Um pedaço do céu, (ou do Celso, como queiram!). E para fechar o ano com chave de ouro: o Celso ganhou um joelho novo!
Mas, este ano quem aprendeu mais aqui em casa foi o Fran, aprendeu muitas palavras... (que a Dra. Cíntia, nunca leia isso, rsrsrsrs), mas vejam com seus próprios olhos! Já dá para montar um glossário, um Francisquês!
Vou publicar aqui para auxiliar quando o levarem para passar o dia com vocês!
Kiko Meia Kuti = Nome dele completo
Bigbuc = Facebook
Gamocê = Amo você
Pupa = Desculpa
Culo= Escuro
Ponhão = Pião
Migos = Amigos
Colinha = Escolinha
Cucu = Suco
Cucu quem = Leite quente
Cucu Xi = Suco de
abacaxi
Mel = mingau
Cojo = Miojo
Cocoito = Biscoito
Catafita = Batata
frita
Guiça = Linguiça
Vovu = Ovo
Ati = Chocolate
Ninim = danoninho
Guero - Dinheiro
Méda = Moeda
Zão = televisão
Pabói = Caubói
Pabóia = Caubói
(moça)
Arvi tal = Árvore
de natal
Gugas ninja= Tartarugas ninjas
Omi Ferro = Homem de Ferro
Xôquito = Xô mosquito
Pê pipe= Pequeno Príncipe
Caco Botas = Gatos de Botas
Pinguis Macujá = Pinguins de Madagascar
Mimimi – Backyiardigans
Cocoi = Pocoyo
Tatitatá = Patati Patatá
Inhaim = Aranha
Seo Má – S. Ademar
Izi = Luzia
Mina = Marina
Bebelos = Cabelos
Guedi = Band Aid
Vovó Guida = Vovó Margarida
Móla = Mariola
Papai quel = Papai do céu
Mamãe quel = Nossa senhora
Frase mais usada: foi mi ímã = foi minha irmã (muito injusta por sinal, rsrsrs)
Frase mais difícil:có inhaim mãe, quá meu = Óculos do aranha mãe, no meu quarto.
DESEJO UM 2013 CHEIO VELHAS MAS, IMPORTANTES PALAVRAS:
AMOR, SAÚDE, PAZ E FÉ! E COMO DIZ O FRANCISCO:
FILIZ DIA OVO!
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